Jornal dos Desportos

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Opinio

Repensar o basquetebol

31 de Dezembro, 2015
Fazem toda lógica e sentido as declarações de Bi-Figueiredo, antigo secretário-geral da Federação Angolana de Basquetebol. Nas entrelinhas o dirigente expressa a sua preocupação pelo actual estado da modalidade e deixa alguns sinais daquilo que devia ou deve ser feito de modo a que o país volte à reconquista da sua expressão competitiva.

Sendo alguém que esteve na federação numa fase que se pode considerar áurea na história da modalidade, é normal que revele algum inconformismo em face daquilo que é o seu momento actual. Trabalho sério e responsável se exige para a correcção daquilo que esteja mal e se possa acertar o passo de retorno aos bons tempos, os tempos de glórias em que a África inteira baixava-se aos pés do nosso país.

Na verdade, não está fácil identificar o que de concreto se passa com a modalidade, sendo que, por tudo quanto saibamos, trabalho de investimento nas camadas jovens continua a ser desenvolvido a nível dos principais clubes, a exemplo do que acontecia nos anos anteriores. O paradoxo é que o produto de tal investimento não se reflecte na qualidade e evolução das equipas nos escalões competitivos.

No passado, e atolado nas dificuldades de toda a ordem, próprias do momento em que se vivia no país, era comum assistir-se ao progresso de um determinado jogador a partir dos juniores até atingir o estrelato, o que hoje já não se verifica. Aliás, todos os basquetebolistas que foram responsáveis pela conquista dos títulos africanos que o país colecciona vimo-los a despontar.

Os próprios esteios da nossa selecção, nomeadamente José Carlos Guimarães e Jean-Jacques da Conceição, sem demérito aos demais, serviram antes a selecção júnior, aquela que, em 1980, deu o primeiro título africano ao país, derrotando na Cidadela Desportiva a República Centro Africana, servida na época por jogadores poderosos como Anicet Lavodrama, Frederic Goporo e outros, tendo bisado a façanha dois anos depois em Maputo.

Depois destes cresceram outros, como os irmãos Victorianos e muitos mais. Este processo hoje não se verifica a olho nu, embora tenhamos conhecimento de algumas unidades que isoladamente despontam aqui e ali. Haverá realmente alguma coisa que não está bem explicada. É certo que a situação do basquetebol não atinge os limites da gravidade do futebol, mas não deixa de estar coberto de razão quem sugere a união dos homens da modalidade para se encontrar uma solução conjunta para aquilo que considera uma crise.

Em 2011 no Madagáscar o "cinco" nacional recebeu o primeiro sinal de que as coisas se estavam a inverter a seu desfavor. Medidas cautelares não foram tomadas no sentido de se identificar o lado frágil da sua estrutura, e a reconquista do trono, dois anos depois na Costa do Marfim, terá não apenas serenado as ânimos, como também acomodado os fazedores da modalidade. Estava tudo bem.

Mas na Tunísia ficou a confirmação de que o edifício do nosso basquetebol está prenhe de fissuras. A derrota na final foi sinal claro de que a erosão pode acontecer se nos mantivermos impávidos e serenos a ver as coisas a acontecer. Daí toda a razão que se descobre nas inquietações de Bi-Figueiredo.

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