Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Repensar o desporto

05 de Setembro, 2019
Como uma espécie de reparo crítico às peripécias enfrentadas pelos atletas angolanos que competiram nos Jogos Africanos, que terminaram no fim-de-semana, em Rabat, a jornalista, enviada especial do Jornal de Angola e Jornal dos Desportos, trás a público para reflexão de todos, alguns aspectos negativos que marcaram a presença da comitiva angolana na maior manifestação desportiva do continente.
Na verdade, vivemos tempos diferentes e difíceis, marcados pela recessão económica, em que quase tudo escasseia. O sector do Desporto foi dos que mais se viu afectado, sobretudo, porque na nossa realidade o desporto é mais um sorvedouro, que outra coisa. Dito de outro modo, não é lucrativo pelo que não é sem razão que os gestores desportivos passam a vida a choramingar.
A participação em provas internacionais, de há algum tempo à esta parte que passou a ser obra de Hércules, a exigir das Federações ou dos clubes esforços adicionais para a criação de condições materiais, logísticas e financeiras que viabilizem a operação. Em situações de maior aperto, a renúncia à participação acabou por ser o caminho mais curto.
Exemplos, temo-los à mão de semear. O Desportivo da Huíla, que foi vencedor da Taça de Angola em futebol, não está nas competições africanas em que devia estar por mérito. Razões evocadas para a ausência: falta de saúde financeira para as obrigações da prova. E, se dedicarmos alguma atenção ao Girabola, é que são elas. É tudo um sermão de lamúrias.
Mas tudo isso não justifica o que se passou em Rabat. As participações em eventos internacionais não podem ser, apenas, para exibição das cores da nossa bandeira. Servem, também, para no plano competitivo elevar o ego, em função dos resultados produzidos pelos nossos atletas. E, isto, nunca será possível enquanto não passarmos a encarar as coisas com maior sentido de responsabilidade.
À guisa de exemplo, estaria o país em condições de exigir resultados à Neide Dias, fundista do 1º de Agosto, que chegou a Rabat atrasada, com bilhete comprado às suas expensas e sem equipamento sequer? Às tantas, fica-se sem perceber que objectivos desportivos persegue o país. É preciso, às vezes, ter a coragem de renunciar algumas participações, quando se sabe, à partida, que as condições não oferecem garantias.

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