Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Resgatar a tradio

12 de Novembro, 2013
O país comemorou ontem o 38º aniversário da Independência Nacional. Os ganhos desta conquista que orgulha todos os angolanos são visíveis. O povo ganhou liberdade, direitos e passou a decidir o seu próprio destino. Graças a esta histórica vitória política, Angola conseguiu afirmar-se como nação soberana no mundo.Com a Independência, o país começou a galgar com os próprios meios e a traçar o seu caminho. Hoje, 38 anos depois, ninguém pode negar que se tomou, na altura, a decisão mais justa e acertada, quando o saudoso e primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, proclamou perante a África e o mundo a liberdade dos angolanos.

Em várias áreas, são notáveis os benefícios gerados com a Independência. O desporto é, sem dúvidas, uma delas, tendo levado e colocado bem alta a bandeira do país em vários cantos do mundo após retumbantes vitórias nas mais diversas modalidades. Não é por acaso que no discurso proferido o mês passado na Assembleia Nacional, sobre o Estado da Nação, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, disse que no contexto africano, Angola quer afirmar-se “como um país do desporto”. Portanto, o percurso marcante de algumas das nossas Selecções Nacionais, com particular realce para o andebol feminino e o basquetebol masculino, em África, são também uma consequência da luta empreendida por muitos heróis do passado para que hoje fôssemos um país livre e independente.

Depois da Independência Nacional, entre as décadas de 80 e 90, o país registou um movimento desportivo intenso e competitivo, com um sistema de desenvolvimento funcional abrangendo vários domínios como o desporto escolar, de lazer e recreação, amador e o de alto rendimento, apoiado por um forte e eficiente quadro de dirigentes.

Passados 38 anos, as conquistas no desporto nacional são cada vez mais evidentes, com o crescimento exponencial de infra-estruturas e o surgimento de outras modalidades que no passado não eram praticadas. Mas é opinião quase generalizada de que, à excepção do andebol feminino e do basquetebol masculino, e nos últimos dez anos do desporto adaptado, Angola tem visto baixar o seu poderio competitivo no futebol, o desporto mais popular do mundo.

Apesar da conquista de um Campeonato Africano em sub-20 e da presença na fase final de um Campeonato do Mundo da mesma categoria e a nível de seniores, marcos indeléveis para o desporto-rei no país, é voz corrente que devemos trabalhar alinhados ao discurso do Chefe de Estado que aponta a Estratégia de Desenvolvimento Nacional do Desporto, ajustada à nova realidade, mediante uma melhor definição dos objectivos, programas específicos e metas a atingir a médio prazo, para que resgatemos a tradição que o país já teve, sobretudo a nível do continente africano.

Com a comemoração de mais um aniversário da Independência Nacional, é importante que todos os agentes desportivos continuem a fazer uma reflexão profunda sobre o passado e o presente do desporto nacional, para que se possa projectar um futuro que leve o país a tornar-se uma potência do desporto em África, como almejou o Presidente da República.

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