Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Retrocesso na capital

12 de Maio, 2016
O anúncio feito em Luanda acerca da ausência de equipas da província no próximo torneio de apuramento do Girabola, vulgo Segundona, constituiu mais um capítulo negativo no desenvolvimento do desporto -rei na província.

A desistência da equipa dos Polivalentes e da Escola Norberto Costa, agremiações que oficialmente sustentavam o futebol sénior na capital, o primeiro por não ter nas suas prioridades a prática do escalão, e o segundo por problemas financeiras, coloca a nú o nível de desorganização do futebol por estas paragens.

A desistência e ausência de clubes luandenses na prova que apura as equipas que no Girabola ocupam as vagas deixadas pelos despromovidos, é apenas sequência das enfermidades que assolam o futebol e que começou a sentir-se mais fortemente quando começou o desaparecimento dos campos, nos bairros.

De facto, os recintos desportivos em que despontaram muitas das estrelas do futebol angolano, como o campo dos Bairros Unidos, Kubaza e Terra Nova, apenas para citar estes, simplesmente desapareceram engolidos por projectos alheios ao futebol, que desincentivou a prática da modalidade por clubes, ali onde os recintos existiram.

Luanda é e sempre foi o maior centro de desenvolvimento do futebol no país, é a província que mais clubes tem no Girabola e também a tem mais agremiações tituladas. Basta ver os títulos conquistados pelo Petro de Luanda e 1º de Agosto, superam os troféus que fazem morada nas outras províncias juntas, concretamente Cuanza Sul que tem no Libolo a equipa mais ganhadora com quatro títulos, Benguela dois com o 1º de Maio e Lunda Norte com um, pelo Sagrada Esperança.

Por esse facto, custa acreditar a disputa da Segundona sem representantes luandenses. A crise financeira estendeu os seus tentáculos também no futebol luandense, em particular, mas o órgão que dirige a modalidade deve encontrar formas para contornar a situação e evitar que o futebol caia no abismo. Os clubes precisam de ter incentivos para continuarem a ter no seu seio a prática do futebol sénior, dado que é o escalão mais dispendioso.

Sem isso, muitos das crianças que hoje estão a ser formadas nas várias escolas no espaço geográfico que compreende a província, correm o risco de estagnarem por falta de equipas de seniores, em que podiam evoluir, eventualmente, à espera de uma oportunidade para singrarem num clube grande.

A prática desportiva também ajuda na formação de homens com carácter e dignidade, posto que os jovens são desviados para más práticas sociais, tais como a delinquência que, normalmente, surge abraçada ao consumo de drogas, com todos os males que daí advêm.

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