Jornal dos Desportos

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Opinio

Rever Gabo\'2017

26 de Maio, 2017
A Selecção Nacional de futebol em SUb-17 terminou a sua participação no Campeonato Africano da categoria de maneira inglória, ou se não, pouco prevista, já que em função daquilo que foi o seu desempenho ao longo da fase de qualificação era suposto fazer um pouco mais do que foi capaz nos palcos gaboneses.

É certo que tratando-se de uma selecção jovem, o que vale é a formação, é o seu nível evolutivo e não tanto a classificação. Ainda assim, não pode fazer vista grossa a uma prestação tão ruim, quase comparada àquela que, em regra, obtém nas competições africanas a Selecção A, que se transformou nos últimos tempos num verdadeiro saco de pancadas.

O espanto da esmagadora maioria talvez resulte do facto de se ter apresentado brilhantemente na estreia. Num jogo em que foi ao intervalo a perder por 2-0, acabaria porém por impor a sua hegemonia na segunda metade, em que tratou de dar ao adversário o troco pela mesma moeda, apontandam igualmente dois golos que levaria à igualdade no jogo.

Pois, com aquele extraordinário desempenho elevaram-se os níveis de confiança e ao mesmo tempo de esperança por uma participação dentro das estimativas daqueles que esperavam mais da sua equipa. Entretanto, no segundo jogo as coisas não foram à contento e no terceiro foi aquele descalabro que nem ao diabo faz lembrar.

Como é costume quando os fracassos surgem, dá-se lugar ao exercício da busca das razões. Cada um forma a sua opinião. Culpabiliza-se a postura individual dos jogadores, as opções do treinador e em última instância o desempenho administrativo do órgão federativo, que pode eventualmente ter falhado num ou noutro detalhe.

Ora, talvez a esta hora pouco interessa entrarmos na caça de culpados pelo fracasso. Se calhar fazia algum sentido se se tratasse da selecção de honras, mas sendo de Sub-17 o discurso deve ser o mais positivo, sob pena de se criar um clima de desânimo àqueles que são, queiramos ou não, os potenciais integrantes da Selecção A dos próximos tempos.

Batamos palmas e demos força a estes bravos rapazes sobretudo por terem logrado a qualificação à fase final num torneio que não foi nada fácil olhando para o potencial das selecções que nele tomaram parte. O desfecho da participação no CAN do Gabão pode ser minimizado. Claro que em tudo há sempre uma dose de culpa de alguém. Mas não é isto que deve centralizar as nossas leituras.

Aliás, existe um órgão federativo, que esteve por detrás dos aspectos administrativos. Se por alguma razão algo terá falhado Artur Almeida e Silva, Rui Costa e pares, saberão reconhecer a falha e proceder à respectiva correcção de modo a que num próximo compromisso as coisas corram de forma diferente e positiva.

Não interessa, pois, embandeirar em críticas, muitas vezes pouco construtivas, por este deslize. A selecção deve continuar a trabalhar para a sua maturação, porque apesar do que foi Gabão\'2017, não mata por ai uma geração de atletas que ainda tem muito a dar ao futebol do país. Levantemos as cabeças e olhemos em frente.

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