Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Revs no futebol

24 de Julho, 2015
O futebol nacional acaba de sofrer um grande revés com as equipas angolanas a serem penalizadas pela Confederação Africana de Futebol.
O órgão dirigente do futebol africano acaba de reduzir de quatro para duas o número de equipas angolanas que nos próximos dois anos têm direito a "desfilar" nas competições por si organizadas a nível de clubes.

Com Angola fora do leque de 12 países com direito a quatro equipas, apenas o campeão do Girabola e o vencedor da Taça de Angola têm direito de participar nas Afrotaças, ao contrário do que aconteceu durante largos anos, em que o futebol nacional esteve representado nessas provas com quatro equipas, duas em cada competição da CAF.

Sem o privilégio de estar entre o grupo dos doze "eleitos", constituído pela Tunísia, República Democrática do Congo, Argélia, Costa do Marfim, Egipto, Sudão, Marrocos, Camarões, Congo Brazzaville, Mali, Nigéria e África do Sul, o futebol angolano sofre um grande revés e muito por culpa das suas equipas que não conseguem impor-se nas Afrotaças.

Há muito que os representantes do país nessas provas da CAF não se apuram para a fase de grupos e nem chegam, sequer, à última eliminatória e o organismo continental limitou-se, apenas, a cumprir as regras que ditam a atribuição de lugares aos países para as provas que organiza.

O futebol angolano tem dado mostras de retrocesso e essa penalização aos nossos clubes se, por um lado, pode ser benéfico no sentido de acirrar ainda mais a luta tanto para o título do Girabola como para a conquista da Taça, por outro, deve obrigar a repensar o calendário nacional do Girabola, tido muitas vezes como um obstáculo à presença das nossas equipas nas Afrotaças.

É dado adquirido que os nossos representantes entram com poucos jogos nos pés para as Afrotaças e nem mesmo os estágios feitos fora do país conseguem atenuar isso, porque os jogos de preparação são sempre diferentes dos encontros a doer, em que se exige muito mais dos jogadores nesses últimos, ao contrário do que acontece normalmente com os seus adversários que, quase sempre, têm os seus campeonatos locais em andamento e, em função disso, com a rodagem competitiva necessária para os desafios da competição africana.

Essa medida da CAF deve obrigar a repensar o futebol em termos de calendarização, além de que há males que vêm por bem. Até 2017 quem quiser ter o direito de ser "africano" terá de fazer pela vida. O Girabola pode ganhar mais competitividade e a Taça de Angola longe de ser uma prova para algumas equipas salvarem a época, como se diz-se amiúde, passa a ser uma competição em que os nossos representantes também se podem mostrar à África, com todo o mérito.

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