Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Silncio na FAF

29 de Janeiro, 2014
A Federação Angolana de Futebol rompeu em Outubro de 2013 o vínculo contratual com o uruguaio Gustavo Ferrín. A rescisão, como todos os adeptos de futebol puderam perceber em momento oportuno, teve a ver com a safra negativa dos Palancas Negras sob o comando deste técnico.
Impunha-se, na verdade, uma tomada de posição corajosa, como forma de tirar a equipa nacional da série de maus resultados ou, se preferirem, da fase de improdutividade futebolística. É evidente que as culpas não devem ser todas assacadas ao treinador. É possível que também tenha havido erros administrativos. Porém, mais visível, ainda, estava o mau desempenho da equipa em campo.

É lógico que quem acompanha um pouco a trajectória do nosso futebol ao longo dos anos da existência do campeonato nacional da primeira divisão, há-de notar na nossa selecção dos últimos tempos uma gritante crise de valores. Mas também é certo que em algumas circunstâncias Gustavo Ferrín falhou redondamente, sobretudo nos critérios de selecção de atletas, assim como nas opções tácticas.

Embora o público consumidor do espectáculo futebolístico seja em regra exigente, nunca antes tínhamos tido uma selecção tão contestada, a ponto de quase se estabelecer, entre ela e o público, uma fronteira hermética, por os resultados não aparecerem. Assistir a um jogo dos Palancas era assumir o masoquismo, transformados que estavam numa fonte inesgotável de frustrações e agruras.

Até aqui, a FAF, enquanto entidade empregadora, fez o seu papel, cumpriu o seu dever. Mas, em tudo, o processo de substituição deve funcionar. Pode não ser com imediatismo, até para que se possam evitar precipitações que levem à escolha de gato por lebre, mas deve acontecer sem levar o tempo que hoje estamos a verificar.

Sabemos que, dentro de pouco tempo, começam as eliminatórias para o CAN 2015, desconhecendo-se ainda os eventuais adversários que Angola vai ter pela frente. Não tendo hipótese nenhuma de ser cabeça de série, deve estar ciente de que vai encontrar, pelo menos, um peso pesado no seu percurso qualificativo. Logo, pensamos que a hora de organizar a equipa é esta.

Passa-se que nós não aprendemos com os erros. Fazer as coisas à última hora é a nossa característica. Adoramos remediar. Não gostamos de prevenir. E lá vamos nós, rumo à construção de um sólido império futebolístico. O seleccionador a ser contratado às portas do torneio não vai ter, de certeza, tempo para se ambientar ou conhecer melhor os atletas.

Aqui, talvez convenha solidificar a ideia de um treinador nacional. Pois o forasteiro é aquele que, numa primeira convocatória ou numa primeira fase, vai marchar à luz dos seus adjuntos, para mais tarde vir a perceber que foi enganado e se fosse o próprio a fazer a convocatória teria outro plantel e outros resultados. E, em regra, quando se tem esta visão, já muita coisa saiu estragada.

Portanto, a nação futebolística continua a dormir e acordar num clima expectante, sobre quem vai ser o próximo homem. Vários nomes já foram avançados, mas para o povo as sugestões contam pouco. O que se pede é que a FAF aja. Deixe de tergiversar, e anuncie rapidamente o nome do novo seleccionador nacional. Ponto final parágrafo.

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