Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Situao constrangedora

18 de Abril, 2015
Várias são as reclamações com relação à actual condição classificativa da equipa do 1º de Agosto. A preocupação tem vindo a ser manifestada não só por aqueles que se identificam como adeptos da turma do Rio Seco, como também por outras pessoas com alguma vivência desportiva e que reconhecem a grandeza e nome desta agremiação.

Na verdade, a situação da turma militar, começa a ser um fenómeno desportivo preocupante. Sem falar de outras modalidades, que a colectividade movimenta, vemos uma equipa de futebol de rastos no campeonato nacional, remetida à uma posição, que em condições normais, nunca era a sua.
Numa competição desportiva, acaba por ser normal que uma equipa interveniente ganhe ou perca, sem que haja para muitos motivos para alarmismo. Mas quando falamos do 1º de Agosto, não devemos perder de vista, que não falamos só de uma equipa pioneira do nosso campeonato, aquela que a par do ASA, em edição alguma se ausentou da prova.

Para lá disso, é também uma equipa que ao longo da vigência do Girabola conseguiu escrever o seu nome, com letras douradas, no palmarés do futebol angolano. Afinal na sua galeria estão em exposição vários troféus. Ganhou campeonatos nacionais de futebol, Taças de Angola, Supertaças e nas competições africanas também deixou marcas indeléveis do seu perfume.

Logo, não é simpático que se assista, a olho nu, a queda do gigante. Pelo andar da carruagem, não há dúvida que as condições estão criadas para o fim de uma das mais mediáticas equipas do nosso futebol. Fim entre aspas, já que ficar fora dos títulos do Girabola não significa o fim de tudo, como já aconteceu com outras equipas. Todavia, não deixa de ser ruim para a que é a segunda equipa mais titulada depois do Petro de Luanda.

Talvez seja momento do próprio Ministério da Defesa, que não tem pouco trabalho no quadro das suas obrigações, dedicar um pouco de atenção a este assunto. Pois, as coisas a continuarem como estão, pode não haver como endireitar a equipa e devolvê-la às glórias. Pois 2006, o ano que conquistou o seu último título, já vai longe no tempo e no espaço.

Pensamos também que uma agremiação desportiva, vinculada à uma instituição publica, devia fazer um pouco mais de esforço para sair da penumbra, quanto mais não seja, a forma compensatória do capital investido no clube. Vemos, infelizmente, um clube a viver apenas de nome e dos seus feitos.

Portanto, é preciso que aqueles que identificados com as cores do clube, alguns até como sócios com quotas pagas, juntem ideias que permitam chegar a um entendimento para a salvação do gigante do Rio Seco. Entretanto, diga-se desde já, que as últimas actuações infundem alguma esperança no sentido da melhoria. A fase cinzenta do começo da prova parece ter sido vencida, e oxalá acerte definitivamente o passo.

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