Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Situao do glorioso

08 de Abril, 2014
Nos últimos dias várias têm sido as reclamações públicas em relação à actual condição classificativa da equipa do 1º de Agosto. A preocupação tem vindo a ser manifestada não só por aqueles que se identificam como adeptos da turma militar, como também por outras pessoas com alguma vivência desportiva, e que reconhecem a grandeza e nome deste clube.

Na verdade, a situação do 1º de Agosto começa a ser um fenómeno desportivo preocupante. Pois, não lembra a memória a equipa ter tido um início de campeonato tão desastroso como está a acontecer na presente edição, em que já soma quatro derrotas em seis jornadas realizadas.

Numa competição desportiva, acaba até certo ponto por ser normal que uma equipa interveniente ganhe ou perca, não havendo daí muitos motivos para alarmismo. Mas, quando falamos do 1º de Agosto não devemos perder de vista que falamos só de uma equipa pioneira do nosso campeonato. Aquela que a par do ASA em edição nenhuma se ausentou da prova.

Para lá disso, é também uma equipa que ao longo das 35 edições do Girabola conseguiu escrever o seu nome, com letras douradas, no palmarés do futebol angolano. Afinal, na sua galeria repousam vários troféus. Ganhou campeonatos nacionais de futebol, Taças de Angola, Supertaças e nas competições africanas também deixou marcas indeléveis.

Logo, é doloroso que se assista, a olho nu, a queda deste gigante. Pelo andar da carruagem não há dúvida que as condições estão criadas para a vulgarização de uma das equipas mais mediáticas do nosso futebol. Vulgarização entre aspas, já que a classificação na cauda ou a meio da tabela não mata, em definitivo, a possibilidade de uma recuperação surpreendente. Mas, não deixa de ser mau para quem até aqui é só a segunda equipa mais titulada depois do Petro de Luanda.

Talvez seja o momento de a própria direcção do clube ver o que eventualmente esteja mal, para as respectivas correcções. Pois, as coisas a continuarem como estão, não há como evitar o vexame. Convém deixar claro que as vitórias conseguidas não convencem ainda os adeptos, por terem sido obtidas diante de equipas de pouca expressão competitiva.

Seja como for, já foi bom ter ascendido à oitava posição. Oxalá tenha conseguido sacudir a crise de resultados para longe e as próximas jornadas sejam proveitosas, sobretudo porque a equipa precisa de recuperar o terreno perdido. De resto, 12 pontos têm uma influência grande na balança na hora das matemáticas finais. O campeonato só está a começar, o que significa que em caso de acertar o passo, o 1º de Agosto ainda vai a tempo de surpreender a sua massa associativa pela positiva.

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