Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

So Silvestre

17 de Dezembro, 2018
Apesar do atletismo ser das modalidades mais representativas do nosso mosaico desportivo não é menos verdade que a sua acção se faz sentir com maior impacto quando se chega a esta fase do ano, em que se coloca em funções a máquina organizadora da tradicional corrida de fim de ano, São Silvestre. Tal quadro, entretanto, não é revelador da falta de actividade competitiva a nível deste desporto, mas resulta sobretudo da grandeza que esta prova pedestre insere.
É de conhecimento geral que a nível da federação angolana da modalidade e das suas associações se desenvolvem acções competitivas regulares, mesmo que, na esteira de uma análise realística seja ainda longe do nível do que se fazia nas décadas anteriores. Em todo o caso compreende-se que cada época é uma época e as facilidades tidas ontem podem não ser as mesmas de hoje.
Ainda assim, os homens do atletismo sempre fazem tudo mais alguma coisa para mantê-lo vital. De resto, foi em face de dificuldades de natureza financeira que há dois anos assistimos a uma São Silvestre pouco expressiva, disputada apenas por nacionais, perante a indisponibilidade financeira que permita convidar corredores estrangeiros, como sempre foi. A prova ficou um pouco aquém da sua marca habitual, do ponto de vista competitivo.
Numa altura em que estamos a dias da realização de mais uma edição, é notória da parte da direcção de Federação Angolana de Atletismo a conjugação de certo esforço no sentido de devolver à prova este ano o seu cariz internacional. A São Silvestre de 2018 pode voltar a contar com corredores estrangeiros, estando a serem ponderados todos elementos inerentes à emissão de convites.
Sabe-se de fonte federativa que esforços estão a ser desenvolvidos no sentido de trazer atletas estrangeiros, desde que se consiga obter patrocínio em termos de transportação, que, à partida, pode vir a ser assegurado pela companhia de bandeira, estando a faltar apenas alguns acertos. A federação procura ainda outros apoios que possam permitir o aumento do valor dos prémios.
Aliás, ao que se sabe, a própria Confederação Africana de Atletismo pede a Angola que volte a internacionalizar a corrida, como forma de poder contar também com apoios fora do mercado nacional. Por aí podemos aferir que existe ainda alguma possibilidade de a prova voltar à primeira forma, ainda este ano.
Por tudo isso, aguarda-se expectante, que as coisas aconteçam como estão a ser alinhavadas, porque uma prova de cariz internacional é uma coisa, e uma doméstica é naturalmente outra. Mesmo em termos de histórico dos seus vencedores, quem tenha ganho uma prova sem concorrência estrangeira não se lhe pode atribuir o mesmo prestígio de quem tenha chegado primeiro à meta batendo na concorrência destemidas lebres etíopes, quenianas ou eritreias


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