Jornal dos Desportos

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Opinio

Souback em risco

28 de Abril, 2018
Quando há dois anos o dinamarquês Morten Souback aportou em Angola, alimentou-se genericamente a ideia de que o andebol angolano tinha tudo para continuar a fazer história dentro do continente africano e melhorar a sua performance pelo mundo, nas principais competições, nomeadamente Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos.
O país, por via do 1º de Agosto, acabava de contratar um dos mais categorizados técnicos do andebol mundial. O trabalho feito no Brasil, com o qual se sagrou campeão do mundo em 2013, além de ter ajudado este país falante da língua portuguesa no continente sul-americano a conquistar antes os Jogos Pan-Americanos de 2011 e o ter colocado nos quartos-de-final dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, são só para citar estes, alguns dos feitos que motivaram o interesse dos angolanos neste treinador.
O arranque promissor com a equipa militar, no primeiro ano de trabalho em Angola, foi só a confirmação do que espelhava a folha de serviço de Morten Souback , que chegou a ganhar quase tudo interna e externamente, à excepção da Supertaça Francisco de Almeida.
No seguinte, as coisas já não foram tão agradáveis intra-muros, apesar da conquista dos campeonatos (nacional e provincial), pois a nível da Supertaça e Taça de Angola o Petro de Luanda começou a colocar em \"xeque\" o seu \"estatuto\" com o triunfo nestas provas. No presente ano, Souback só coleccionou desaires com o seu principal opositor, o técnico Vivaldo Eduardo, que com uma equipa menos experiente e renovada tem dado cartas e tem mostrado é um profundo estudioso da modalidade. Depois de arrebatar no passado a Taça de Angola, vencer o Torneio de Abertura, a Supertaça e a primeira volta do \"Provincial\" de Luanda, Vivaldo Eduardo voltou a superar o seu principal opositor na principal prova africana de clubes, a Taça dos Campeões, recentemente disputada na cidade egípcia do Cairo. Contas feitas o 1º de Agosto está há cinco jogos consecutivos sem vencer o Petro de Luanda, seu arqui-rival em todas as competições e em todas as modalidades.
Quer queira, quer não, isso representa um revés para o clube militar e concomitantemente para o técnico Morten Souback, que começa a ver o seu prestígio a ser ofuscado no país e não só. Com estes desaires todos e caso não inverta o quadro tão rápido quanto possível, dificilmente o treinador militar poderá resistir a uma chicotada psicológica, tanto no seu clube como à frente dos destinos da Selecção Nacional sénior feminina. Está sem dúvidas em risco!Aliás, neste particular, a \"estreia\" do seleccionador nacional, sem contar com os torneios de preparação, não foi muito feliz. A presença de Angola no Campeonato do Mundo, disputado no ano passado em França, foi um autêntico desastre, com a pior classificação de sempre, depois do honroso sétimo lugar conquistado sob comando do técnico nacional Jerónimo Neto \"Jojó\", em 2007.
O presidente do 1º de Agosto, Carlos Hendrick, já manifestou a sua insatisfação pelos últimos desempenhos da sua equipa, deixando no ar a ideia que \"pode haver mexida na equipa técnica\". Não será, por isso, algum espanto se Morten Souback chegar a um acordo de cavalheiros quer com a direcção do 1º de Agosto, quer com a da Federação Angolana de Andebol, que não terá engolido muito bem o insucesso do país no Mundial de França.

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