Jornal dos Desportos

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Opinio

Surpresas na Taa

20 de Junho, 2016
O espírito de taça prevaleceu nos 16 avos da Taça de Angola. Não em grande escala, mas o suficiente para confirmar que taça e campeonato são duas coisas diferentes, com a primeira vivendo sempre em cada etapa com a incógnita a pairar nos jogos programados, e com equipas grandes a tombarem diante de conjuntos de menos valia, muitos deles até desconhecidos do grande público.

É assim em toda parte do mundo. As formações pequenas agigantam-se porque querem sair do anonimato. Pretendem fazer história e para isso entregam-se de corpo e alma aos jogos, quebram favoritismo.
O ano passado, o vencedor da competição foi o Bravos do Maquis, uma equipa que no Girabola acabara de ser despromovida, após uma grande turbulência no seu percurso por falta de recursos financeiros.

No fim-de-semana a Taça de Angola movimentou o futebol em tempo de paragem do campeonato, e muitos dos girabolistas gozam férias, numa altura em que o mercado "mexe" com a segunda janela de transferências.

A grande surpresa aconteceu em Menongue, onde um ilustre desconhecido, Casa Militar deixou pelo caminho o Recreativo da Caála que viveu um dia amargo, pela derrota sofrida e pelo facto do seu "carrasco" ter vivido os seus momentos de glória no futebol à sua custa.

É certo que a Taça nem sempre é o objectivo de muitas equipas, principalmente daquelas que no campeonato não têm uma posição estável, ou que tenham problemas de tesouraria, como é o caso do 1º de Maio de Benguela, em que o seu técnico assumiu após a derrota frente ao ASA que a Taça de Angola nunca foi um objectivo da sua equipa.
Mas ninguém gosta de perde mesmo a feijões. E em jogo há, também, a auto-estima das equipas que têm responsabilidades para com os seus adeptos, que esperam, sempre, os melhores resultados das equipas que levam no coração.

Há também espírito de taça, quando os grandes clubes engajados nas duas competições mais importantes do calendário nacional de futebol, lutam por uma "dobradinha", ou têm a prova como salvação da época, por se verem descartados da conquista do título do Girabola Zap. Com dinheiro para as encomendas e com jogadores que fazem a diferença, essas equipas podem proporcionar grandes embates, sempre com o espírito de taça a prevalecer.

O actual detentor do troféu ainda não entrou em competição. Atirado para o segundo escalão, o Bravos do Maquis deve estar, certamente, à espera da sua hora, enquanto muitos grandes como o Libolo e Petro de Luanda aguardam pela próxima eliminatória.

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