Jornal dos Desportos

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Opinio

Taa Independncia

18 de Outubro, 2016
O defeso competitivo cá entre nós, foi sempre tema de acesos debates, sobretudo, a nível do futebol. Todos partilham da ideia segundo a qual, o elevado tempo de paragem que as equipas que militam no campeonato nacional da primeira divisão observam, entre uma e outra edição, acaba por ser prejudicial às mesmas, defende-se pois, uma prova intermédia para acudir tal situação.

Pior do que tudo, é que o nosso calendário desportivo está desfasado do calendário dos outros países africanos, dá-se em regra o caso das nossas equipas chegarem às competições africanas de clube numa fase de paragem, e por conseguinte em desvantagem de ritmo em relação aos seus adversários, em cujos países os campeonatos estão em marcha.

Na verdade, trata-se de uma situação que sempre remeteu os nossos dirigentes desportivos a uma profunda reflexão, sobre o meio-termo que convinha encontrar, de modo a contrapor-se ao desencontro. O certo, é que até aqui o nosso campeonato continua a conhecer o arranque entre Fevereiro e Março, e o término em finais de Outubro.

Logo, quando surgem ideias ou propostas de torneios intermédios, devem ser necessariamente apoiadas. A anunciada Taça Independência, uma iniciativa ao que nos consta da Associação Provincial de Futebol de Luanda, pode ser o primeiro passo para muitos outros torneios com maior abrangência, que possam desanuviar as equipas nacionais.

Ainda assim, pensamos que em vez da iniciativa ser de uma APF, devia ser de uma instituição autónoma, que ao invés de envolver equipas de uma província, pudesse envolver outras, e de preferência com disputa perto do arranque das competições africanas de clubes. Seja como for, devemos enaltecer a APF de Luanda pela iniciativa, que poderá certamente despertar outras mentes.

Embora hoje se fale volta e meia da famigerada crise económica, pensamos que empresas bem sucedidas no mercado podiam assumir o desafio, quanto mais não seja, uma forma de marketing dos seus serviços. Taça Ensa ou Taça Unitel, por exemplo, não ficava nada mal em período de defeso. Como organizadores, instituíam-se os prémios para as equipas participantes, e ganhavam muito em publicidade durante a competição.

O regulamento da prova podia, por exemplo, contemplar os primeiros nove classificados do Girabola, e o vencedor da Taça de Angola, ou os primeiros dez do Girabola caso o vencedor da Taça de Angola se encaixasse já neste pacote, e definir para a disputa do torneio uma fase que seja favorável às equipas intervenientes nas Afrotaças.

Seja como for, vamos aguardar, que a par da iniciativa da Taça Independência, surjam outras. Porque esta segue no fim do Girabola e a final da Taça de Angola. Logo, não se apanhem as equipas no que pode ser considerado verdadeiro defeso. A prova podia ter mais serventia, caso se disputasse por altura da quadra natalícia. Mas vale sempre enaltecer uma iniciativa.

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