Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Talento jovem

13 de Janeiro, 2016
Assistimos há dias ao "pontapé de saída," do campeonato nacional de futebol, no escalão de Sub-20. A cerimónia foi marcada com alguma pompa e circunstância. Não faltaram discursos inflamados, de incentivo aos petizes, para que se entreguem de alma e dedicação em busca dos objectivos competitivos. E o torneio, prossegue animado, com exercícios de bom toque de bola.

Ontem foi aberta a segunda jornada. O Complexo Escolar do Progresso do Sambizanga e o campo Raul Kinanga continuam a registar casa cheia de gente interessada em ver como se exibem os rapazes dos Sub-20, como tratam a bola e daí traçar um quadro futurista dos que estabelecem alguma diferença entre os demais em termos de desempenho na quadra.

Na verdade, é importante que se realizem mais campeonatos ao nível destes escalões, sendo a final nesta fase, em que ao atleta são administrados vários conhecimentos técnicos, como a travagem da bola e a execução de passes perfeitos, constatamos que muitos jogadores de equipas principais não dominam com perfeição.

Entendemos, que à exemplo de um estudante a quem deve ser ministrado conteúdo académico faseadamente, à medida que sobe o nível de escolaridade, também ao atleta a coisa não difere. Ele precisa de passar por um conjunto de processos, que o levem a aperfeiçoar a condição atlética, até atingir a excelência.

Aliás, isso não se ensina a ninguém. Cá entre nós, sempre foram assim as coisas, embora nos últimos tempos se verifique um certo amolecimento neste sentido, talvez por falta de apoios e incentivos àqueles, que como formador entregam-se com dedicação a esta empreitada, com finalidade única de projectar o futuro da modalidade.

A realidade demonstra que quando o contacto com bola se dá mais cedo, o praticante tem uma forma de intervenção no jogo mais apurada, mais tecnicista, porque este não prima pelo empirismo, mas sim pelo científico absorvido no quadro de um processo formativo que junta a teoria à prática.

Do movimento futebolístico infantil, mais marcante da história de Angola independente, "Caçulinhas da Bola", uma genial ideia e organização da Rádio Nacional de Angola nos primórdios dos anos 80, vieram a despontar frutos que anos mais tarde serviram com qualidade renomados clubes da nossa praça. Luizinho Cazengue, Zacarias, Mona, Degas são só alguns nomes chamados aqui como exemplo que jogaram nesses clubes.

Portanto, tem a mão cheia de razão, Graciano Domingos, quando no dia de abertura manifestou o desejo de ver despontar no quadro deste movimento de promoção do futebol jovem, outros Maluka, Garcia, Jesus, Ndunguidi, Lourenço, Napoleão etc, etc. Acompanhemos a evolução do torneio, e no fim, diremos unanimemente que valeu apenas o esforço conjugado.

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