Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Tempestade no ASA

03 de Março, 2020
É por demais sabido que o clube Atlético Sport Aviação (ASA) enfrenta, faz já algum tempo, uma crise que afecta toda sua estrutura organizativa e que coloca em cheque a desenvoltura do seu basquetebol no campeonato nacional da modalidade. E, ao tudo indica, os atletas aviadores podem paralisar, a partir desta semana, toda sua actividade.
Detentores de três títulos de campeão nacional da maior prova da «bola ao cesto» no país, conquistados nas épocas de 1980, 1996 e de 1997, respectivamente, há, inclusive, riscos do emblema do Aeroporto 4 de Fevereiro extinguir a sua equipa de basquetebol.
Face aos problemas estruturantes que o clube enfrenta há sensivelmente três anos, a equipa sénior masculina de futebol acabou por ser despromovida à segunda divisão em 2017 e não obstante o retorno um ano depois, em 2019 por conta do momento menos bom por que passava em termos financeiros, voltou a tombar. E agora tem que se conformar com a disputa do escalão secundário, onde a qualquer altura pode ver também os seus intentos ofuscarem-se numa nuvem negra.
É, enfim, a decadência de um gigante do nosso mosaico desportivo. Na base deste revés por que passa o clube aviador está a aludida crise que dura há três anos, sobretudo pela falta de patrocínio. Ao que se propala pelos quatro ventos, as mudanças operada na direcção do clube precipitaram esse clima de instabilidade e discórdia.
Fala-se, inclusive, da presença de “pára-quedistas” no seio desta, sobretudo por não reunirem consenso da massa associativa do clube e mais do que isso ainda por não terem qualquer histórico no emblema do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.
E é na sequência destes problemas estruturantes que os jogadores da equipa sénior masculina de basquetebol do ASA prometem paralisar os trabalhos e não disputarem a próxima jornada do campeonato nacional. Os atletas mostram-se totalmente agastados.
No pomo da discórdia e descontentamento estão arrolados o não pagamento de salários, acumulados há mais de um ano, e as condições de trabalho. Ao que o nosso jornal apurou de fontes próximas do clube, a equipa que é orientada nessa altura pelo técnico Cesaltino Reis, trabalha em “campo inapropriado”, sem água e material desportivo. E, para agravar ainda mais o quadro que é aqui descrito, até a alimentação e deslocação são feitas por conta e risco dos próprios atletas. Enfim, um caos total para uma equipa que já deu muitas alegrias na fina-flor do basquetebol angolano e não só.
E, como um mal nunca vem só, até o treinador principal da equipa de basquetebol, Carlos Dinis, que ao que se comenta em vários círculos pôde, futuramente assumir a condução dos destinos da Selecção Nacional, está ausente desde o início da época. Daí, se não se encontrar uma saída oportuna para este imbróglio a que está submetida o basquetebol da colectividade, é ponte assente que os jogadores batam o pé esta semana e o ASA, efectivamente, paralisa o seu basquetebol na mais alta-roda da modalidade…

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