Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Traar Metas

03 de Fevereiro, 2017
Mesmo não sendo um desporto com particularidade de elevar o ego dos angolanos, o futebol é, sem dúvidas, a maior paixão. Este pormenor é entendido inclusive pelo Estado, que nunca se poupou a esforços no apoio à Selecção Nacional, pese embora os seus resultados que nos últimos tempos deixam muito a desejar.

Aliás, a força do futebol em unir o país é vista nos dias em que os Palancas Negras estão em acção, quer seja internamente, quer no exterior do país. Nestes dias as fricções politicas, clubísticas e religiosas são colocadas à parte. Num ambiente de mais de milhares de pessoas, como tem acontecido nos estádios onde actua, nem dá para perceber as diferenças que às vezes dividem uns dos outros.

Entretanto, nos últimos anos a qualidade do futebol nacional e consequentemente dos seus actores baixou consideravelmente. Só para se ter uma ideia em 1997 Angola era a 50ª melhor selecção do Mundo. Hoje, está entre as piores abaixo de países como Cabo Verde, Guine Bissau, e de outros de menor expressão futebolística.

Percebe-se que os tempos sejam outros, e a realidade também. Mas estes números nos transmitem uma valiosa lição. Sem querer identificar culpados, está claro que a regressão da qualidade do nosso futebol tem a ver primeiramente com a falta de objectivos claros. Também há indícios de que o foco dos que gerem o futebol é apenas um: participar em competições continentais sem atenção ao trabalho de fomento.

Só assim se pode justificar que em 41 anos de independência a Federação Angolana de Futebol já tenha trocado de seleccionador mais de 30 vezes. Entretanto, todos estes pormenores já foram discutidos e já se identificou o problema. Agora a questão é encontrar soluções para se sair da situação menos boa em que o futebol se encontra.

Clubes como 1º de Agosto e Petro de Luanda, que já produziram grandes talentos são grandes exemplos a seguir no que se refira às políticas de formação. Falta-nos agora planos a médio e longo prazos e homens competentes e capazes de fazer cumprir, com rigor, os objectivos traçados para com o futebol.

Mas, com as mudanças operada recentemente na Federação Angolana de Futebol, com a eleição de uma nova direcção, se vislumbra alguma luz no fundo do túnel. Esperamos por algum rigor e sentido de disciplina na execução dos planos, é isto que leva ao desenvolvimento no mundo do desporto e do futebol em particular.

Estão anunciados novos tempos para o futebol nacional . É certo que os novos gestores da modalidade não são milagreiros, será necessário dar-lhes algum tempo para que possam mudar as coisas e mostrem os frutos do seu trabalho. Vamos acreditar. Desde já os campeonatos nacionais de Sub-17 e Sub-20 que decorrem respectivamente em Benguela e Cabinda, dão-nos bons indicadores.

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