Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Trabalho dos Palancas

15 de Novembro, 2018
A Selecção Nacional de futebol prepara o jogo do próximo domingo, diante do Burkina Faso, para a quinta jornada do torneio de apuramento ao Campeonato Africano das Nações, com sede o próximo ano nos Camarões. Pela importância de que o mesmo se reveste, talvez o trabalho esteja começar tarde demais. É certo que, entre nós, isto já não constitui novidade, mas é preciso fazer correcções.
Uma semana, correspondente a seis dias, pode não ser suficiente para rodar a equipa o necessário, embora não passe muito tempo desde que esta realizou o último jogo, que foi contra a Mauritânia. Há jogos que, em função da sua importância e do valor do adversário, podem não exigir muito de nós. Mas na condição inversa, todo cuidado deve ser observado.
E no caso do jogo de domingo, não tenhamos ilusões, é de extrema importância para as matemáticas à qualificação. E o adversário não é nenhuma pêra doce, bastando para o efeito fazer recurso ao histórico de resultados entre as duas selecções, em que o fiel da balança pende a favor dos burkinabes, que, de resto, se têm revelado em verdadeiros \"carrascos\" de Angola nos últimos tempos.
Os burkinabes, por exemplo, foram convocados no passado dia 6 e deram logo início à preparação da sua deslocação à capital angolana. A isto podemos chamar \"jogo na antecipação\", que é, sem dúvida, a arma para a vitória de todos astutos. Logo, é aberrante, que o favorito esteja mais preocupado em relação a quem é taxado como menos capaz. Esta comparação pode ser dura, mas é a realidade que deve ser dita e escrita.
É evidente que quando falamos de trabalho com alguma antecipação, não estamos a incluir na conversa atletas que evoluem em outros campeonatos. Estamos a nos referir apenas ao núcleo daqueles que actuam na competição interna, nem que para tal fosse preciso forçar a paragem do campeonato nacional, por uma ou duas semanas. Pois, quando se fala da selecção nacional, estamos a falar do país, e pelo país sacrifícios devem ser consentidos.
Era bom não perdemos de vista, que o jogo de domingo será para a nossa selecção de vida ou de morte, depois que ela mesma complicou as contas em face da derrota consentida na jornada anterior, perante uma Mauritânia que, 72 horas antes, tinha dominado com tamanha facilidade. De momento, as hipóteses de qualificação passam apenas por vitória nos dois confrontos em falta. Logo, é coisa que deve ser encarada com maior sentido de responsabilidade.
Quando se têm objectivos a conquistar, as estratégias devem ser eficazes. Vejam que o Burkina Faso já cá está desde ontem. E não é porque tenha vindo com antecipação, para os seus integrantes se encantarem com os edifício esplendorosos de Luanda, mas para se poderem adaptar ao clima que se faz sentir por esta altura do ano e ao ambiente do próprio jogo. Tudo isso se reveste de extrema importância.
Infelizmente, nós costumamos descurar de todos estes pormenores. Por isso, é que em algumas circunstâncias, pagamos caro a factura. E depois vêm as lamúrias, longe de reconhecermos que temos sido nós mesmos os verdadeiros culpados das nossas desgraças. Trabalho feito em cima do joelho, nunca teve eficácia.

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