Jornal dos Desportos

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Opinio

Tributo a Pepino

13 de Setembro, 2018
A Federação Angolana de Ciclismo (FACI) vai institucionalizar, a partir do próximo ano, no seu calendário nacional de provas, o Grande Prémio Alberto Silva “Pepino”, em memória ao malogrado homem das pedaladas, falecido em Agosto último.
É um justo e merecido tributo a este figura incontornável do ciclismo e do desporto, dentro das nossas fronteiras. A iniciativa do Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) é digna de realce, por tudo quanto Pepino fez enquanto esteve em vida.
A titular do pelouro, Ana Paula Sacramento Neto, a título pessoal, apoia este projecto de lançamento do Grande Prémio Pepino, que já teve também o respaldo da família do veterano ciclista, falecido a 11 de Agosto, em Benguela, aos 95 anos.
Alberto Silva ou simplesmente “Pepino”, como era carinhosamente apelidado, partiu e deixou um grande legado, não só para o ciclismo a que esteve ligado por várias décadas, mas também para o desporto no país, no geral, nas suas mais variadas amplitudes.
O filho de Benguela, o atleta, o desportista, que além dos vários anos dedicados ao ciclismo, foi também praticante do rei-futebol e atletismo, não resistiu a problemas respiratórios, acabando por sucumbir no Hospital Geral da mesma província.
De forma ousada, Pepino desafiou a idade e a tudo, ao pedalar em ocasiões diferentes, o “arrojado percurso” de mais de 500 quilómetros, que separam Benguela à Luanda.
Isto o tornou num verdadeiro herói, assim como gladiador da estrada e do asfalto, como, em certa ocasião, profetizou o jornalista Jaime Azulay. Pepino, que a 24 de Outubro próximo completaria 96 anos, era um homem de personalidade distinta.
Um exemplo a seguir e uma prova de que a determinação e perspicácia podem correr mesmo às veias de um desportista veterano e com muitas léguas percorridas, não fosse o “arrojado desafio” de viajar de bicicleta de Benguela à Luanda já aos 85 anos.
No “mais velho” Alberto Silva “Pepino” estava patente o velho slogan, de que os homens não se medem aos palmos. Apesar das muitas batalhas que carregava na bagagem e os 95 anos que pesavam sobre os seus ombros, o gladiador da estrada e do asfalto ainda ousava em desafiar tudo e todos.
O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu o respeito que Pepino granjeou de todos angolanos, a partir do momento em que, já numa idade avançada, demonstrou capacidade de se superar e servir de exemplo para as novas gerações. “Foi verdadeiro ícone do desporto nacional e internacional”, sublinhou o Mais Alto Mandatário da Nação, na sua mensagem de condolências.
E algo inusitado a reter de Pepino, que também exerceu a profissão de marceneiro, é que até a urna que lhe acompanhou no repouso à sua última morada, a 14 de Agosto, no cemitério da Camunda, arredores de Benguela, ele próprio a fez há mais de 30 anos. O veterano ciclista era uma figura de dimensão incomensurável e, seguramente, figurou entre os mais emblemáticos e profícuos desportistas de Angola e, se calhar do mundo.

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