Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Tristeza no interior

16 de Novembro, 2016
Com o cerrar das cortinas na passada sexta-feira, depois da disputa da final da Taça de Angola, entre o Recreativo do Libolo e o Progresso Associação do Sambizanga, com a consagração do então campeão nacional, na hora do balanço há a lamentar o facto de duas províncias ficarem fora da festa maior do futebol nacional. As "quedas" do FC Porcelana e do 4 de Abril colocaram o Cuanza Norte e o Cuando Cubango sem futebol de primeira água, como soe dizer-se.

No final das contas, o 1º de Agosto foi o grande vencedor, ao arrebatar o tão cobiçado troféu de campeão nacional, conquista que não comemorava há cerca de dez anos. Se os militares até hoje têm razões de sobra para comemorar, o mesmo já não pode dizer-se das três equipas que baixaram de divisão, nomeadamente, o Porcelana FC, o 1º de Maio de Benguela e o 4 de Abril.

Por esta ordem, estas equipas ficaram na última, penúltima e antepenúltima posições, que de acordo com as regras do jogo, dá direito à despromoção ao escalão secundário. Das três, duas são de províncias que já não têm qualquer outro representante no escalão maior, nomeadamente, o Cuanza Norte e o Cuando Cubango, o que causam deste modo uma profunda tristeza entre os prosélitos da modalidade, nessas regiões do interior de Angola.

O desempenho dos três emblemas ao longo das 30 jornadas, não foi dos melhores, ao ponto de não garantirem a permanência. Mais do que não terem dado conta do recado em campo, ou seja, fraquejarem na disputa directa com os adversários, o que mais castigou estas equipas foi a enorme dificuldade financeira por que passaram.

Com orçamentos apertados, os clubes tiveram de fazer das tripas coração para enfrentar cada jornada da prova, com o Porcelana FC a anunciar ainda na primeira volta a desistência da prova, mas depois fezer um recuo estratégico para manter a honra e a dignidade da província que representava.

Fechadas as cortinas, a verdade é que duas províncias ficam sem a grande festa do futebol. No próximo ano, quando se disputar o Girabola de 2017, os aficcionados do Cuanza Norte e do Cuando Cubango têm de contentar-se a ver pela televisão e ouvir o som da rádio, o ambiente enigmático de tudo aquilo que se passa num estádio, onde para além dos artistas da bola e dos árbitros, o 12º jogador joga um papel muito importante para a animação do espectáculo.

É de facto uma pena, que no próximo ano as coisas não sejam assim nestas duas províncias, com a situação menos mal para Benguela, que apesar de ter visto o 1º de Maio relegado, mantém uma outra equipa em prova, que resistiu às intempéries da competição, e evitou a mesma sorte para os adeptos da cidade dos flamingos.

Infelizmente, o desporto tem destas coisas. Afinal, é mesmo isso que torna a modalidade mais querida, entre muitas outras.

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