Jornal dos Desportos

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Opinio

Troca inesperada

29 de Outubro, 2018
O Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão está de volta, regressando nesta sua 41ª edição à primeira forma. Em 1979, ano em que foi instituído, incicialmente previa-se fazer a sua disputa num mês de Outubro, porém, a morte inesperada do saudoso Presidente António Agostinho Neto, a 10 de Setembro, inviablizou o começo na referida data.
Por essa razão, a prova que nos últimos anos ganhou o cognome de Girabola Zap, no memorável ano do seu pontapé de saída teve início apenas no mês de Dezembro, por força também dos 45 de lutos decretados, na altura, pelo Bureau Político do MPLA-Partido de Trabalho pelo passamento de Neto.
No entanto, a partir da segunda edição, em 1980, ao invés do começo em Outubro, como era de esperar, o Girabola passou a ter início entre os meses de Fevereiro e Março, uma situação que se arrastou até a época transacta.
A edição de 2018, ganha pelo 1º de Agosto, que chegou, assim, ao segundo tri-campeonato do seu historial, depois do sucedido em 1979, 1980 e 1981, teve início em Março e disputou-se contra-relógio.
A situação que levou a essa disputa contra-relógio, esteve assente na necessidade de se ajustar o seu calendário aos dos demais países africanos. E mais ainda: ao longo destes anos de andamento deste maior carrossel do nosso futebol, cujo término acontecia, habitualmente, entre os meses de Outubro e Novembro, os nossos embaixadores acabavam por iniciar as provas da Confederação Africana de Futebol (CAF) sem qualquer ritmo competitivo, a partir de Fevereiro e Março, em que essas, regra geral, têm o seu início. Por isso, vezes sem conta, as equipas angolanas tombavam logo na primeira esquina das Afrotaças.
Nesse contexto, deve ser aplaudida o reajuste do calendário, por parte do organismo do reitor do futebol nacional. A medida da Federação Angolana de Futebol (FAF) vem mesmo a calhar e, inquestionavelmente, assinala uma nova era do nosso desporto-rei. E nesta época de 2018/2019, cujo pontapé de saída se deu precisamente com o jogo entre o Atlético Sport Aviação (ASA) e o Sagrada Esperança, sábado, nos Coqueiros, adivinha-se um disputa acesa entre os contendores. Quer seja no topo, quer seja noutras esferas de disputa. E mal se deu o pontapé de saída, com este confronto, aconteceu já um atraso de 13 minutos do seu início e que, por pouco, poderia tramar a turma do aeroporto.
Ao que se apurou, o atraso foi motivado pelo facto de a equipa de arbitragem, chefiada por Feliciano Lucas, não se predispor a entrar em campo, por falta de 25 mil kwanzas no prémio a que tinha direito pelo trabalho a realizar. Algo caricato, mas que ainda é preciso reconhecer, que o nosso futebol é fértil em coisas do género, e, se atendermos ainda ao facto de que, no arranque da época, se ter ventilado que muitas equipas correriam risco de não jogar pelos pendentes que tem para com os treinadores, jogadores e pessoal administrativo.
Também não deixou de ser inesperada, a troca no comando técnico do campeão em título, 1º de Agosto, de Zoran Maki por Dragan Jovic, que regressa assim ao plantel militar, depois de ter sido campeão em 2016 e 2017.

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