Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Tudo definido

04 de Novembro, 2014
Há muito que o Girabola não registava um cenário como o que se verifica agora, com tudo definido, antes do correr das cortinas.Quando falamos em tudo, referimo-nos à questão do título, que ficou resolvido na antepenúltima jornada, após o Kabuscorp ter dado um “empurrão” ao Libolo, com o empate que cedeu no jogo com o Benfica do Lubango, e também fica definido no tocante às equipas do topo do Girabola que vão representar o país na próxima edição das Afrotaças e dos clubes que por causa do seu fraco rendimento perdem o direito de desfilar entre os grandes.

Não se infira perante este quadro, que testemunhamos um campeonato pouco competitivo. Pelo contrário, o topo deu-nos espectáculos de grande despique, mesmo no período em que a luta pelo título ficou realisticamente reservado a dois, o novo campeão Libolo e o campeão destronado, Kabuscorp, que até ao inesperado empate na Tundavala com os encarnados do Lubango, se recusava a atirar a toalha ao chão, porque acreditava plenamente, que a conquista do segundo título consecutivo, ainda era possível.

É curioso que no top-3 aparecem três formações que vivem de fundos próprios, Recreativo do Libolo, Kabuscorp do Palanca e Benfica de Luanda, por ordem de classificação, que não fazem recurso a dinheiros de empresas ou organismos do Estado para sobreviverem, como acontece com alguns grandes do futebol nacional, casos do 1º de Agosto e Petro de Luanda e num outro ângulo, do Bravos do Maquis, que podem quedar-se, sem justificar em termos de classificação, os dinheiros que recebem e os investimentos que fizeram na temporada.

A definição estende-se também à cauda da tabela classificativa. União Sport do Uíge e Benfica do Lubango que festejaram efusivamente estar entre os grandes, choram agora a perda desse direito, por falta de pontos necessários para se manterem no principal campeonato do país, aliás, do mesmo modo que o 1º de Maio que acabou por não escapar à despromoção.Deste trio de despromovidos, o conjunto de Benguela era o que apresentava à partida um passado mais relevante, mas que de nada lhe valeu porque para no Girabola o que conta sempre, é o presente, o 1º de Maio parece que quer viver eternamente dos louros que conquistou em tempos idos, quando engalanou a sua galeria de troféus com as duas Taças do Girabola.

A última jornada do campeonato pode começar a ser já de reflexão para as 16 equipas, que vão marcar presença na prova. Uns, começarem já a pensar na nova época, principalmente, os que têm de defender o estatuto de eternos candidatos ao título, outros, como os três primeiros classificados porque têm compromissos nas competições africanas.De resto, o fim do Girabola marca sempre o início de uma reflexão generalizada das equipas. Umas satisfeitas com os objectivos alcançados, outras frustradas pelo fracasso que registaram

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