Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Tunsia aos soluos

26 de Junho, 2015
A notícia circula nos bastidores, sem carácter oficial, que os jogadores convocados pelo seleccionador nacional de basquetebol, a excepção de quatro, ainda não se apresentaram à concentração para dar início à preparação, visando o Afrobasket'2015 em Agosto próximo na Tunísia. Consta que condicionam a sua integração aos trabalhos da equipa a um conjunto de necessidades.

A situação preocupa, porque estamos num ano em que o basquetebol tem maior responsabilidade no plano competitivo internacional. É evidente que existem também competições a nível de outros desportos, mas, o basquetebol sénior masculino tem , sem dúvidas, maiores obrigações em face da sua condição de campeão africano.

As reivindicações dos atletas podem até certo ponto ter a sua razão de ser, mas devem ser apresentadas e discutidas em foro próprio. Os atletas, rotulados como campeões africanos saem mal na fotografia assumindo esta postura. Exigir condições é de facto um direito, mas devemos fazê-lo de forma mais urbana.

Até onde vai o nosso conhecimento, a Federação Angolana de Basquetebol e o Ministério da Juventude e Desportos nunca se furtaram das suas responsabilidades com a selecção de basquetebol. Sempre souberam criar condições de trabalho a altura das obrigações competitivas e compensar à medida os atentas depois de logrado o objectivo.

Aliás, se os bons resultados reflectem, à partida, organização e condições de trabalho aceitáveis, estaremos de acordo se dissermos aqui que os títulos africanos que constam do nosso palmarés jamais seriam conquistados na ausência de condições, de incentivos e consideração com os atletas. No percurso histórico do nosso desporto, que se abeira aos 40 anos, nunca vimos jogadores de futebol ou hóquei em patins a serem brindados com chorudos prémios como acontece no basquetebol.

Isto por si só é sinal inequívoco de que as autoridades jamais se exoneraram daquilo que configura a sua responsabilidade. Pensamos que a questão de prémios não deve ser discutida tampouco inviabilizar o bom andamento dos trabalhos. Os jogadores podem estar na razão de reclamar outra coisa. Falou-se, por exemplo, dos contratempos verificados o ano passado na ida ao campeonato do mundo na Grécia, em que a equipa pernoitou em recinto aeroportuário em condições sofríveis.

Até aqui está tudo bem. Jogadores de alta competição estão na contingência de exigir mais atenção, mais condições, mais organização. Na verdade, não foi uma boa novela. Penalizou os atletas e de uma forma ou doutra o seu rendimento na competição, em face do abalo que sofreu a sua estrutura psicológica. Situações do género não nos dignificam, sendo merecedoras de notas de repudio.

Mas isto não é suficiente para atrapalhar o trabalho de preparação da equipa, numa altura em que se exige a conjugação de esforços em busca da performance ideal para as exigências da competição que se antevê super-competitivo em face do potencial da equipa anfitriã e de outras que nela se farão presentes.

Portanto, não é pouca a responsabilidade que pesa sobre Moncho Lopez e seus pupilos. Trata-se de uma ingente missão, porque vai comandar a selecção campeã africana, aquela que para as demais selecções será uma espécie de alvo a abater e na sua primeira experiência no basquetebol africano. Por isso, é que o trabalho, que, se calhar, já começa tarde, deve ser sério e responsável.

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