Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um ensaio azul

08 de Novembro, 2017
A despromoção do Atlético Sport Aviação (ASA) devia suscitar dos homens que acompanham o futebol nacional um ensaio à dimensão de monografias de final de um curso superior.

Trinta e oito anos depois, os aviadores vão experimentar a segunda divisão, competição por muitos menosprezada. E tem razão de ser , pois não tem dignidade para formação com o curriculum dos aviadores, tri-campeões nacionais, vencedores de quatro Supertaças e duas Taças de Angola. Nunca a segunda divisão do futebol nacional viu desfilar uma equipa de tamanha dimensão.

O centro dessa abordagem deve, no entanto, procurar compreender as razões que estiveram na base da queda dos aviadores. Razões essas que se aprofundadas acabarão por confluir no problema transversal que vive o futebol nacional, alimentado durante todo esse tempo por um sistema que estimulou a preguiça.

O sistema deve ser responsabilizado pelo actual estado do futebol nacional, e do desporto num todo. Foi esse sistema que criou dirigentes e não gestores. Pessoas ávidas pura e simplesmente em meter \"mão na massa\", como soe dizer, que drenava por via das empresas públicas.

Disso resulta que não se preocupavam com o futuro, com o amanhã dos clubes. É uma anedota ver a dimensão física do Atlético Sport Aviação (ASA). Um edifício não inferior ao anexo que muitos de nós possuímos na casa dos nossos pais.

Um clube dessa dimensão que “nasceu” jogadores como Joaquim Dinis e Love Kabungula (apenas para citar esses) devia ter outra estrutura, capacidade económica à altura de suportar o peso da história que carrega no seu curriculum. Há, no entanto, sinais que não podem ficar apenas no âmbito dos aviadores. Diz-se na cultura kimbundu que soou o ngongo. Ou seja, o alarme geral.

Outros grandes podem seguir o mesmo caminho dentro de pouco tempo. Nada foi feito para evitar que tal acontecesse. Nada pode nos espantar se o Petro de Luanda ou o 1º de Agosto cair nos próximos anos, por mais remota que possa ser essa realidade. Nenhum deles tem capacidade de viver por conta própria. Nenhum desses clubes é capaz de pagar com fontes próprias metade das despesas que tem.

Apesar dos investimentos que procuram fazer nos últimos anos, com enfoque para o clube militar, ainda assim este está longe de poder dizer de boca cheia que já pode andar por si só, sem a ajuda do seu principal sponsor, as Forças Armadas Angolanas, ou sem o suporte de alguns dos seus patrocinadores.

O quado actual da economia nacional e das finanças públicas aconselha uma mudança urgente dos clubes no seu modelo de gestão, sob pena de muitos seguirem o mesmo caminho do histórico Atlético Sport Aviação (ASA).

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »