Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vamos trabalhar

19 de Novembro, 2015
Depois do afastamento da corrida ao campeonato mundial de futebol de 2018, na Rússia, depois da derrota de Durban, talvez seja importante parar e repensar o futebol nacional. Na verdade, algo terá de ser feito a ver se conseguimos sair do estágio actual que já roça os píncaros do absurdo. Pois, a nossa selecção perdeu capacidade de vencer jogos e passar eliminatórias.

Claro está que conseguiu a qualificação para o CHAN'2015. Mas fê-lo de forma pouco convincente. Daí a razão de não nos apegarmos muito nesta conquista. Porque muitos entenderam a presença ao CHAN como sinal evidente de evolução. É engano redondo pensar desta forma. Os próprios contornos da eliminatória ajudam qualquer um a fazer uma leitura longe da profusão.

Afinal a equipa tinha ganho no jogo da primeira-mão na África do Sul por 2-0. Entretanto um dos dois golos foi introduzido na baliza por um jogador sul africano, sendo por isso um auto-golo. No jogo da segunda-mão em casa, a selecção não conseguiu evitar a derrota, perdendo por 2-1. O resultado acabou por nos ser favorável no cômputo da eliminatória.

Logo, o apuramento ao CHAN foi obtido de forma arrojada, sendo daí um erro de cálculo pensar-se que deste feito seja reflexo da melhoria do nosso futebol em busca de um melhor posicionamento competitivo na praça continental. Ficou a prova de que ainda temos muito caminho a desbravar para chegar ao nível desejado, capaz de permitir uma disputa em igualdade de circunstâncias com as outras selecções.

Infelizmente, pelo continente africano a nossa selecção, que já conheceu momento áureos, deixou de ser reconhecida como um adversário de facto. E não será nenhum exagero tampouco falta de algum patriotismo dizer claramente que hoje as selecções que por capricho do sorteio cruzem com Angola quase inundam o céu de foguetes, por se revelar num adversário acessível, incapaz de oferecer alguma resistência.

É certo que temos ainda o CHAN em Janeiro, e depois as qualificativas ao CAN'2017 no Gabão. Não fossem este compromissos talvez o mais sensato seria mesmo parar e fazer um profundo trabalho de sondagem e prospecção nos escalões jovens a ver se conseguimos dentro dos próximos anos uma selecção que seja digna deste nome, visando as qualificativas ao campeonato do mundo de 2022 na Catar.

Os projectos da propalada Conferência Nacional do Futebol devem sair da gaveta para a sua implementação. Se a situação da modalidade obrigou a um encontro alargado que envolveu todos os agentes da modalidade, podemos não estar bem hoje, mas não fará sentido que cheguemos a 2020 sempre com um futebol pauperrímo e descontextualizado.

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