Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vasiljevic nos clubes

12 de Abril, 2018
Só em ambiente de conflito com a própria consciência poderia alguém sair em protesto do programa de visitas, iniciado terça-feira, pelo seleccionador nacional de futebol aos clubes nacionais, com realce àqueles com equipas a evoluir no campeonato nacional de futebol da primeira divisão, vulgo Girabola Zap. Trata-se de uma iniciativa a todos os títulos louvável.
Tenha a ideia sido cozinhada pelo próprio Srdjan Vasiljevic ou emanada da mente de um outro dirigente do actual elenco federativo, ela só pode ser acolhida com aplausos, quanto mais não seja reflexo de uma forma sábia e inteligente de se estar no mundo da gestão desportiva, onde ao lugar de rixas deve sim haver um cruzamento harmonioso de conceitos e de vontades.
Assim, para além de melhor se inteirar sobre o funcionamento dos nossos clubes, facilidades e dificuldades com que estes se deparam no dia-a-dia da sua actividade, vai o seleccionador nacional interagir com os seus responsáveis e técnicos, para de forma consensual traçarem estratégias sobre as próximas convocatórias, de sorte que na esteira deste exercício sejam salvaguardados os interesses das partes.
Na convocatória, para a participação em Janeiro e Fevereiro últimos da Selecção Nacional no CHAN\'2018, houve jogadores que não se fizeram presentes aos trabalhos da equipa e sequer estiveram presentes no torneio, tendo a situação dado lugar a um desaguisado, que resultou inclusive em medidas punitivas, quando, se calhar, não era preciso chegar-se ao extremo.
É certo que os interesses do país sobrepõem-se aos do clube, sendo a selecção sempre uma prioridade, quando se está dividido entre dois compromissos. Mas também não é uma obrigação responder \"sim\" à convocatória à Selecção Nacional. Pois, pode existir factores que inviabilizem a presença de um atleta nos trabalhos da equipa nacional.
Para todos compromissos o homem pode ser impedido, se não por questões familiares, por razões de saúde ou ainda académicas. São, em toda linha, situações que devem ser entendidas, sem quaisquer suspeições. Passasse que no caso a que fazemos referência, não se tratou apenas de uma unidade ausente. Foram várias, e por sinal de uma mesma agremiação.
Assim, a questão transpôs os limites da compreensão. Foi entendida como cabala, ardilosamente engendrada, com fim único de sabotar o trabalho da selecção, ou, se não, do seleccionador nacional, acabado de assumir o compromisso. O caso fez correr muita tinta, e houve quem procurou levá-lo a outras instâncias, como ao Comité de Disciplina da Confederação Africana de Futebol.
Em tese, são situações que podem ser ultrapassadas com diálogo. E o passo que se dá agora não visa outra coisa senão a construção de uma plataforma de entendimento, de um clima são entre a Federação Angolana de Futebol, via Selecção Nacional, e os clubes que afinal são os fornecedores de atletas que dão corpo à equipa de representatividade nacional. Excelente iniciativa!...


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