Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Ventos de Tunis

22 de Outubro, 2018
O 1º de Agosto, tri-campeão nacional, tem amanhã, em Túnis, a espinhosa missão de tentar chegar à final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de futebol. Este objectivo passa, necessariamente, por uma vitória sobre o Esperance de Tunis ou, na pior das hipóteses, por uma igualdade com ou sem golos.
Trata-se na verdade de uma empreitada difícil, mas não impossível. Pelo país faz-se uma corrente de força a favor da equipa às ordens de Zoran Maki, num movimento em que há inclusive um despir-se de preconceitos clubísticos, sendo que em causa está também o prestígio do futebol nacional em caso de um resultado melhor conseguido.
Aliás, nunca, ao longo dos anos da existência do campeonato nacional de futebol, uma equipa angolana logrou o mérito de disputar uma final da Taça dos Clubes Campeões Africanos. E uma primeira vez, que se prevê iminente, não será apenas mérito do clube militar, mas também do futebol nacional no seu todo, do ponto de vista histórico.
Estamos esperançados que o 1º de Agosto consiga fazer valer o seu prestígio na praça futebolística africana. Mais do que isso, o resultado verificado nos primeiros 90 minutos, bem ou mal, lhe conferem alguma vantagem de que deve procurar tirar proveito, embora saibamos de antemão que o adversário não é nenhuma pêra doce.
E mais: uma qualificação da turma militar mais não será senão uma desforra da desfeita de há 20 anos na final da Taça dos Vencedores das Taças, em que foi eliminada pelos tunisinos em plena Cidadela, no célebre jogo em que Assis quase saiu linchado por ter desperdiçado uma grande penalidade. Quis o capricho do destino que desta vez o jogo decisivo fosse em Tunis.
Estarão os angolanos preparados para dar o troco pela mesma moeda? Talvez sim, talvez não. Na verdade, não será fácil, mas haverá que se fazer trinta por uma linha para atingir o objectivo, ainda que os jogadores sejam a obrigados a comer a relva. Será preciso mostrar que o resultado de Luanda não foi obra de mero acaso, mas fruto da exibição de um conjunto adulto e astuto.
Estamos a acompanhar o ambiente que se vive em torno do jogo. Sabemos que os bilhetes para o mesmo esgotaram ainda à semana passada, prevendo-se, em função disto, uma enchente de assustar qualquer mortal no Estádio Olímpico deRadés. Este é um facto que joga, naturalmente, a desfavor da turma angolana, se tivermos em conta que o público também joga.
Mas, uma equipa experimentada, como é o 1º de Agosto, pode não se assustar com isto, e fazer o seu jogo dentro do planificado, sem qualquer inibição. Se assim for melhor ainda. No desporto devemos estar preparados para todos os resultados. Mas, pelos vistos, a massa associativa do 1º de Agosto e não só, está apenas preparada para a passagem à final.


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