Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Ventos do aeroporto

29 de Julho, 2014
De forma paulatina, o Atlético Sport Aviação-ASA está a recuperar o seu prestígio, a sua mística e a massa de adeptos que sempre teve. Falamos aqui da época em que no Girabola ocupava a posição de uma das equipas mais populares do país. Nos últimos jogos para o campeonato nacional, já notamos a presença de uma falange entusiástica de adeptos do clube.As sucessivas crises directivas por que passou, com providências cautelares de permeio, beliscaram um pouco o bom nome e a imagem do clube. Sócios, adeptos, amigos e simpatizantes optaram pelo afastamento, em virtude dos problemas directivos que começaram a surgir logo após as eleições, que colocaram Manuela de Oliveira na presidência.

De um clube de inquestionável popularidade, a par de outros emblemas luandenses, como 1º de Agosto e Petro de Luanda, o ASA, que é um dos totalistas do Girabola, passou a ser uma agremiação de poucas centenas de apoiantes. se apresentaram apinhados de público seu, quer a jogar na condição de anfitrião quer de visitante, aos poucos começaram a registar a ausência dos seus adeptos.As suas actuações, aliadas às cisões dentro da direcção, levaram o clube ao descrédito e, consequentemente, ao afastamento de muitos daqueles que constituíam a sua base de apoio. Na época passada a situação esteve quase a atingir o caos. Foi só foi por uma unha que a equipa sobreviveu no campeonato nacional da primeira divisão. Há quem diga mesmo que houve recurso a alguma "engenharia" que salvou o voo do despenhamento.

Hoje, o cenário é completamente diferente. Nos jogos do Girabola, sobretudo depois de a direcção do clube arriscar confiar a equipa a Samy Matia, o ASA voltou a contar com uma claque organizada, constituída por centenas de jovens, mas também com o apoio de muitos sócios e simpatizantes que uma vez ou outra acompanham as suas actuações.Ocupando actualmente um cómodo oitavo lugar, espera-se que consiga aguentar-se de modo a evitar a situação embaraçosa por que passou na edição passada. Estamos lembrados de que as situações então vividas deram lugar a greves entre os atletas. Muitas vezes se recusaram a marcar presença nos treinos por falta de pagamento dos seus honorários, tendo perdido jogos por falta de comparência.

Na verdade, faz todo o sentido que o ASA, mesmo não sendo candidato ao título, tenha um campeonato regular e uma ocupação classificativa não muito deslocada do seu estatuto. Aliás, tem feitos que a história do nosso futebol regista. Os títulos conquistados no Girabola e noutras competições do nosso calendário futebolístico, bem como a participação em competições africanas de clubes são marcas que ficam.Na última jornada do Girabola conseguiu impor um rigoroso empate (0-0) ao Petro de Luanda. Ficamos todos com a sensação de um ASA evolutivo, cada vez mais organizado, unido e em busca da sua matriz. A claque esteve em peso e puxou pela equipa do princípio ao fim. Foi bonito ver aquele momento que um dia o clube já viveu. Ao que parece, estamos em presença do resgate da mística da equipa do aeroporto.Entretanto, mesmo não tendo ganho o jogo, o empate já lhe permitiu afastar-se do Progresso e do Sporting de Cabinda, equipas com as quais estava "ex-aequo", com 22 pontos.

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