Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Ventos do Sambila

24 de Novembro, 2013
Mas falando particularmente de treinadores, convém abrir aqui um parêntesis para dizer que David Dias pode não ter cumprido os objectivos, mas não é um mau treinador.

Mas voltando à vaca fria, dizíamos que tem razão o presidente Paixão Júnior porque o Progresso é na verdade uma agremiação com nome no mosaico desportivo nacional. Logo, não pode viver apenas de aparência. Pensamos que pelos anos de existência que tem já merecia estar num outro patamar. Ou dito numa linguagem terra-a-terra, já devia ter o nome inscrito na lista dos campeões do Girabola.

Sabemos as fases cíclicas que clube já enfrentou. Ao longo da sua existência tem entremeado momentos bons e maus, dependendo muito das suas lideranças, sendo esta particularidade que faz com que a sua equipa de futebol não tenha uma estabilidade competitiva, fazendo quase sempre campeonatos ao seu estilo, não tanto à terra não tanto ao céu.

Porém, a entrada de Paixão Júnior para a sua direcção veio constituir uma lufada de ar fresco. O Progresso ganhou outra expressão, outra dimensão competitiva, e acima de tudo uma maior consideração da sua massa associativa. Pode ser que esta reacção seja apenas momentânea, muito condicionada à presença daqueles que hoje dirigem o clube.

Logo é de todo perceptível que o actual presidente pretenda mais e melhor para a equipa de futebol. É de todo perceptível que o homem não se contente com a mera estabilidade competitiva da equipa no Girabola. Aliás, soe dizer-se que só os menos ambiciosos se contentam com o pouco. Os passos de Paixão Júnior indiciam que o homem quer muito mais, tem metas e objectivos.

E não há dúvida de que um dos seus objectivos é alcançar, enquanto presidente do clube, a melhor classificação de sempre no campeonato nacional da primeira divisão, quanto mais não seja para deixar o nome inscrito com letras douradas na história da agremiação. Realmente, o dirigismo tem a ver com este tipo de espírito.

É salutar quando os servidores da causa desportiva se esmeram em busca de feitos para os clubes que dirigem ao invés de se servirem do clube como muitas vezes ocorre cá entre nos.

Fundado a 17 de Novembro de 1975, sendo por isso mesmo uma das mais antigas agremiações desportivas, o Progresso merece sim um melhor estatuto, uma melhor projecção, ainda mais agora que se alarga a lista de campeões do nosso campeonato, outrora dominado apenas por duas equipas, o 1º de Agosto e o Petro de Luanda. Hoje a lista daqueles que já subiram ao pódio alargou-se e a tendência é ir-se alargando de edição para edição na procura, claro, de um melhor equilíbrio competitivo.E não vai cair “o carmo e a trindade” se um dia o campeão nacional responder pelo nome de Progresso do Sambizanga.

O investimento que se tem feito nos últimos anos permite sonhar isso. Por tudo isso, entendamos, não é em vão o exercício que está a ser desenvolvido pela direcção do popular clube do Sambizanga. As vitórias nas últimas edições do Girabola, do Recreativo do Libolo e agora do Kabuscorp do Palanca, são elucidativas de que com investimento e políticas competitivas bem concebidas chega-se aos objectivos. Vamos aguardar e ver que ventos sopram futuramente das hostes sambilas.

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