Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vitria do futebol

05 de Novembro, 2013
O Girabola encerrou no fim-de-semana a sua 35ª edição, com a disputa da 30ª e última jornada. Uma prova que não fugiu muito ao que foi a edição passada, embora com troca de campeões, mas o ritmo que teve o Libolo em 2012 equipara-se ao que foi evidenciado pelo Kabuscorp do Palanca.
Foi uma edição marcada pelo calvário do campeão em titulo, o Libolo, que conheceu o sabor amargo de 11 derrotas. Uma marca histórica negativa no palmarés do clube de Calulo, que fez a pior época de todos os tempos. Miller Gomes substituiu Henrique Calisto, em termos competitivos a equipa ganhou um pouco de impulso mas insuficiente para inverter a situação.
Euforia no Palanca, com festa a preceito, apesar de várias vezes adiada, desespero no “eixo-viário”, com o Petro a somar o quarto ano de jejum. Tranquilidade nas hostes do Bravos do Maquis, por ter alcançado a melhor classificação de sempre.
A edição 2013 do Girabola não trouxe nada de novo do ponto de vista desportivo. Os clubes continuaram a debater-se com os velhos problemas do saneamento financeiro que a crise mundial ajudou a agudizar ainda mais.
Não houve melhoria das arbitragens, apesar da boa vontade do Conselho Central em desanuviar o ambiente. A FAF continua a não perceber a importância das estatísticas na melhoria do jogo através da elevação da qualidade das análises técnicas. Até hoje o órgão reitor do futebol nacional não consegue premiar monetariamente os intervenientes da prova máxima do calendário nacional, por falta de patrocinadores.
Enfim, no futebol nacional há ainda um longo caminho a percorrer. A vida corre demasiado depressa para a agilidade de algumas mentalidades.
Com a disputa da derradeira jornada e com o título entregue ao Kabuscorp do Palanca, as equipas retiram-se para merecidas férias com a esperança de um regresso cheio de ambições, em Fevereiro próximo, para uma outra edição.
Porcelana do Kwanza-Norte, Atlético do Namibe e Santos FC foram as equipas que conheceram o caminho da despromoção como consequência de campanhas mal sucedidas. O Santos ficou na penúltima jornada, as outras acalentavam esperanças até à última jornada. Ambas só se podem queixar de si mesmas.
Petro de Luanda e 1º de Agosto, os papões do burgo, voltaram a ver o título fugir da sua galeria. Os petrolíferos não ganham desde 2009 e os militares subiram ao pódio pela última vez em 2007. O campeonato cresceu, assumiu outros “ganharões”, e ganhar-se um campeonato deixou de ter a facilidade de outros tempos. Isto acaba por ser salutar para o futebol nacional. Vai implicar que os clubes invistam mais nos respectivos plantéis, enfim.

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