Jornal dos Desportos

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Opinio

Vitria da esperana

04 de Outubro, 2018
A equipa principal de futebol do 1º de Agosto, continua a dar mostras de grande solidez nas Afrotaças e de que pode, efectivamente, fazer história na maior prova de clubes do continente. Depois de, nos quartos de final, ter eliminado o Todo Poderoso Mazembe do Congo-Democrático do Congo, no agregado das duas “mãos” com um empate nulo em Luanda e outro a um tento em Lumbumbashi, na terça-feira o conjunto obteve uma vitória suada de 1-0, no Estádio 11 de Novembro, sobre o Esperance de Tunis.
Foi, diga-se de passagem, uma vitória que premeia a entrega dos jogadores às ordens do sérvio Zoran Maki e que, de certo modo, dá fortes esperanças a equipa de se qualificar para a grande final da Liga dos Campeões Africanos, onde, seguramente, pôde enfrentar outra equipa do Magreb. Ainda que magro, o triunfo de 1-0 coloca o 1º de Agosto perto da materialização desse desiderato, o que acontecer seria algo inédito no seu historial e, quiçá, do futebol nacional.
Qualquer empate com golos ou até mesmo uma derrota tangencial - mas sublinhe-se desde que o campeão em título angolano consiga um tento -, coloca o conjunto na grande final da presente edição da “Champions League, onde, eventualmente, poderá cruzar com o Al Ahly do Egipto ou ES Sétif da Argélia. A equipa egípcia, por sinal a mais titulada do continente, mercê das oito taças conquistadas nesta prova, leva já uma vantagem sobre a argelina, fruto da vitória por 2-0 em casa, igualmente na terça-feira.
Porém, é importante também destacar que, no jogo de terça-feira, no 11 de Novembro, em Luanda, além de se poder queixar da atitude viril dos jogadores do Esperance de Tunis, o D\'Agosto teve, na actuação árbitro Ndiaye Maguete, outro grande obstáculo. O juiz senegalês parecia, de forma premeditada, inclinar o campo a favor da formação tunisina, pois mostrou-se permissivo em muitos dos lances que os jogadores do emblema militar sofriam faltas claras e merecedoras de advertência.
Numa das muitas acções de favorecer, tendencialmente, diga-se, a equipa do Magreb, Ndiaye Maguete puniu o guardião Tony Cabaça, do 1º de Agosto, com cartão amarelo, por protestar a sua condescendência num lance em que foi positivamente carregado por um dianteiro do Esperance na sua área de jurisdição. E mais ainda: permitiu que o avançado militar Geraldo fosse várias vezes maltratado pelos jogadores tunisinos, sem sequer fazer recurso a cartões. A grande excepção foi aos 92 minutos, quando expulsou Khalil Chamam, capitão da equipa tunisina, por acumulação de amarelos.
E dado o facto de as equipas da região do Magreb, serem muito matreiras no seu futebol, sobretudo quando actuam em casa, espera-se, contudo, que no jogo da segunda “mão”, dia 23 do corrente mês, em Tunis, a Confederação Africana de Futebol (CAF) indica um juiz que tenha, acima de tudo, uma atitude imparcial, para bem daquilo que é a festa do futebol e do próprio “fair-play”.
Caso contrário, isso pode colocar em cheque a campanha positiva do embaixador angolano nas Afrotaças. O D\'Agosto terá de provar, assim, a sua competência e que não chegou a esta fase da “Champions League” por mero acaso, mas sim pela atitude irrepreensível que demonstrou, quer na fase preliminar, como na de grupos e nos quartos de final desta maior prova a nível de clubes da CAF.

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