Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Volume de dificuldades

01 de Novembro, 2018
As coisas estão a mudar nos últimos tempos. Nada mais é como antes. E, para mal dos pecados, as mudanças evocadas processam-se em sentido negativo. Tudo vai mal. Ou seja, o que num passado não muito longínquo estava ao alcance, é hoje uma miragem. As facilidades deixaram de existir, deram lugar a uma onda de dificuldades.
O desporto no nosso país está a ser vítima dessas mudanças. Hoje, a actividade vive um conjunto de limitações, para desenvolver as suas acções. Clubes, Associações e Federações vivem a dura realidade, é à custa de muito exercício que mantêm as modalidades sob sua alçada.
A crise económica, que assentou arraiais há coisa de cinco anos, é apontada como responsável pela mudança do quadro, embora, em alguns casos, pareça haver uma espécie de aproveitamento, de quem mesmo perante a possibilidade de fazer mais e melhor, escuda-se nesse argumento para não gastar, ou para desviar fundos para outros fins.
Fazer desporto é realmente um \"Deus nos acuda\", nos últimos tempos. O próprio campeonato nacional de futebol da primeira divisão, é hoje o que é. Por exemplo, notou-se que logo na primeira jornada, houve equipas que apresentaram dificuldades, como foi o caso do Sporting de Cabinda, que por pouco falhou a viagem para o Lobito. Este, é só o primeiro sinal, do que pode vir lá mais para frente.
Até mesmo, as Selecções Nacionais enfrentam um conjunto de dificuldades para disputarem competições internacionais, há casos de renunciarem estágios de preparação, ou na pior das hipóteses, a própria competição. Esta, deve ser talvez, a fase mais dolorosa de ser dirigente desportivo nos tempos actuais.
A tradicional corrida de fim de ano, São Silvestre, cuja próxima edição está em preparação, perdeu a graça de outros tempos. Quase sem participação internacional, como sempre foi. A corrida, que sai à rua no último dia do ano, já não tem a expressão dos anos passados. Faltam condições financeiras, para trazer corredores estrangeiros, que afinal, são os grandes animadores.
Pior que isso, é que a falta dinheiro, até para os serviços mínimos, roça os píncaros do absurdo. Até a água para quem treina.
Chegados a esse extremo, talvez, só reste cruzar os braços. Será, que por esse andar, podemos exigir resultados aos técnicos e aos atletas? Pelo andar das coisas, pode exigir-se que no plano competitivo o país tenha a mesma prestação, de quem trabalha em melhores condições?

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