Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vontade no chega

05 de Julho, 2014
Disputar o Girabola é o sonho de qualquer equipa de futebol angolana. Da maior à mais pequena província do país. É um sonho que todos preferem concretizar. Contudo, nem sempre este sonho é sinónimo de felicidade. Por vezes chega a ser mesmo um autêntico pesadelo.

Desde a disputa da primeira edição do Girabola, a principal prova do calendário futebolístico nacional, em 1979, muitas equipas já experimentaram este sonho pesado. Subiram, no ano seguinte desceram, e depois nunca mais se ouviu falar delas. Desapareceram completamente do mosaico desportivo nacional.

Diz a sabedoria popular que "quem não tem não inventa moda". Isto para dizer que disputar uma prova tão emblemática e exigente como é o Girabola implica custos avultados, para além de uma retaguarda organizativa capaz e funcional.

Quem não for capaz de juntar estes dois pormenores pode deixar de sonhar com o Girabola. Esta é a verdade que alguns dos nossos dirigentes ignoram. Preferem o luxo na miséria. Querem apenas ganhar nome e servem-se do desporto para o fazer.

No presente Girabola há uma equipa que vive este pesadelo. O Benfica do Lubango, que corre o risco de abandonar a prova. A crise financeira que a equipa atravessa desde o começo da época 2014, continua e sem solução imediata à vista, facto que pode obrigar o elenco directivo do grémio encarnado a decretar, nos próximos dias, a muito anunciada desistência da equipa no Girabola.

No seio da direcção do clube o sentimento é de impotência e desalento, face à incapacidade de pagar salários aos funcionários, liquidar a dívida de quatro meses de ordenados em atraso aos atletas e equipa técnica, prémios de jogo, contratos, viagens, alimentação, saúde, manutenção de infra-estruturas (estádio), enfim, uma série de encargos financeiros.

A questão que se coloca é a seguinte: a direcção dos encarnados sabia ou não desta situação antes de inscrever o clube para a disputa da prova? Face ao que se observa e se ouve nos bastidores, todos já sabiam que mais tarde ou mais cedo a situação era previsível.

"A situação financeira da equipa é insuportável e chegou ao extremo. Há incapacidade para o clube por si só inverter o quadro. É uma situação para a qual alertamos ainda antes do início do campeonato, e passados seis meses, sem a entrada do orçamento, com muitos esforços pessoais, a situação indicia uma inevitável desistência", disse ao JD uma fonte do clube. Isto prova o que disse mais atrás.

Há outros clubes na mesma situação. O Sporting de Cabinda e o 1º de Maio são useiros e vezeiros na situação. Estão sempre a reclamar que não têm dinheiro. Mas isso só é possível porque os nossos clubes não fazem outra coisa senão esperar pelas dotações dos patrocinadores.

Os nossos dirigentes não têm iniciativas. Quando o patrocinador não larga, tudo vem ao de cima. È triste para estes clubes e para o nosso desporto. Um dia a torneira fecha e muitos clubes, se não a maioria, vai acabar. Muito triste.

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