Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Vozes e sugestes

14 de Fevereiro, 2014
Deixa, pois, de fazer sentido o ruído sobre este tema, talvez o mais badalado dos últimos tempos, sendo mais sensato deixar que quem de direito ou responsável por este passo se decida. Claro que a inclemência do tempo não deixa, para muitos, de ser uma preocupação, se não mesmo uma contrariedade

Mas aquilo a que se pretende dar aqui realce é a uma certa tendência de determinado segmento da nossa população desportiva para continuar a defender a indicação de um seleccionador angolano. Nos últimos dias, voltou a ganhar voz esta preferência. Muitos recorrem, inclusive, ao número de conquistas dos Palancas Negras ao longo dos anos.

Como os números não pecam, dão, na verdade, vantagem ao consulado de técnicos angolanos. De resto, considerando a presença no mundial de futebol de 2006 na Alemanha, a vitória no mundial de Sub-20 em 2001 na Etiópia, que qualificou para o mundial da Argentina do mesmo ano, assim como a final do CHAN'2011, como os maiores feitos que a história regista, não há como não considerar esta argumentação.Claro que não devemos elevar tão alto o nosso ego a ponto de fazer vista grossa àquilo que de bom também aconteceu na nossa selecção com técnicos estrangeiros. Não devemos esquecer-nos da primeira qualificação para um campeonato africano, algo concretizado em 1996 com o luso-caboverdiano Carlos Alhinho.

Mas, no cômputo geral, os feitos que embelezam a história dos Palancas Negras foram logrados com treinadores angolanos.

Oliveira Gonçalves e Lito Vidigal são, à guisa de exemplo, nomes que jamais passarão ao largo, quando razões óbvias nos levarem a escrever a história do nosso futebol a nível de selecções, porque conseguiram feitos de realce que não podem e nunca poderão ser subalternizados, a não ser que haja tendência da parte do homem em macular a verdade.

Isto, de facto, dá substância aos apelos daqueles que continuam a defender a indicação de um técnico nacional para a selecção. Aliás, pela lentidão a que se assiste neste processo, agora, mais do que nunca, começa a fazer sentido que o técnico seja angolano, já adaptado à nossa realidade e conhecedor do mercado do futebol angolano. Depois de se ter deixado passar o tempo, vá-se lá um dia saber por que razão, será um risco grande entregar a nau a um tripulante acabado de chegar de terras longínquas, alheio a todo o processo do nosso futebol. Os sinais, de facto, apontam para um nacional. Mas, o compasso de espera, demasiado demorado da FAF, pode levar-nos a pensar noutra coisa.

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