Jornal dos Desportos

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Opinio

Zanga de comadres

29 de Dezembro, 2015
Há muito, que a problemática dos honorários do Seleccionador Nacional de futebol, tornou-se conversa do domínio público. Volta e meia ouvia-se dizer, que o técnico está sem salários, há largos meses. A pergunta surge, inevitavelmente, então como sobrevive e consegue dar solução às questões de foro familiar? É claro, que só ele mesmo pode explicar, numa época como a que se vive, em que quase tudo encareceu.

Entretanto, no quadro do seu patriotismo, Romeu Filemon não só esteve sempre pronto para as suas obrigações profissionais, como foi gerindo à sua maneira, a crítica situação em que estava envolvido. E a selecção foi executando as suas acções competitivas, mal sucedida em algumas provas e melhor noutras. Pode-se lembrar, por exemplo, que fracassou na corrida ao Mundial de 2018, mas logrou a qualificação ao CHAN'2016.

No ar pairou sempre o receio, das coisas em qualquer altura complicarem ou o caldo entornar. Todavia, não se esperava que o desenlace fosse exactamente nesta altura, em que a equipa nacional prepara a participação para o CHAN, cuja qualificação tem impressões digitais de Romeu Filemon, assinale-se dentro das dificuldades que conheceu, isto é, com a falta de salários. Mas as coisas aconteceram. Romeu Filemon não é mais o Seleccionador Nacional.

O "leit motiv" não está suficientemente explicado. Há quem diga que pôs o lugar à disposição em função do estado de saturação das coisas, outros que apontam a ausência da equipa técnica na sessão de treinos do dia 26 de Dezembro, como a gota de água que fez transbordar o copo, neste caso com a FAF no principal papel. De que lado está a verdade?

É coisa para saber-se nas próximas horas, quando tiver lugar a conferência de imprensa anunciada pelo demissionário ou demitido Seleccionador Nacional. Entretanto, longe dos quês e porquês, o que é preocupante é que o momento não era o mais apropriado para situações do género. Os reflexos desta ruptura podem acabar por ser extremamente negativos na prestação da Selecção Nacional.

A escassas semanas do arranque do CHAN, o que se devia fazer era apelar aos protagonistas da novela para disporem um pouco mais de frieza e de calculismo, pois talvez pudessem encontrar a saída mais airosa da situação, nem que para tanto tivessem de adiar as medidas correctivas para o final do torneio. Mas, como já se disse, as coisas aconteceram e quando assim é, não se deve chorar sob o leite derramado. Vamos então aguardar, que o “repescado” Kilamba, leve o barco a bom porto.

À partida, sabe-se em que isto pode vir a dar. Quando competitivamente as coisas derem para o torto, o argumento vai ser de que o técnico é novo, foi contratado nas condições tais, e blá, blá, blá. Mas sendo alguém, que esteve sempre por perto da Selecção, pode dar conta do recado.
Porém, o momento não é o indicado para desaguisados.

Uma pergunta pertinente impõe-se: em caso de ter sido a FAF a demitir o técnico, está o organismo em condições de pagar os honorários em atraso e os valores acrescentados correspondentes à rescisão do contrato? É que com as comadres zangadas, o pendente que em condições normais podia ser liquidado de forma faseada, e no quadro de um espírito de concórdia entre as partes, agora pode ser pago de forma exigida pelo lesado. Bom, mas esse não é assunto nosso...

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