Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os fazedores do desporto

19 de Setembro, 2014
Os atletas procuram o sucesso competitivo, os dirigentes procuram, também eles, se superar e servir melhor o sector, os árbitros, seccionistas e roupeiros procuram igualmente cumprir cabalmente com a sua obrigação.

Porém vezes há em que uns prejudicam o trabalho de outros, situação que em regra tem causado algum dissabor e divide os homens que servem o desporto. Neste particular, os árbitros surgem na linha de frente como aqueles que mancham o trabalho dos outros, principalmente dos técnicos.

Na verdade, o árbitro acaba por ser entre todos os fazedores do desporto aquele que não é visto com bons olhos, acusado volta e meia de prejudicar esta ou aqueloutra equipa, embora este fenómeno não ocorra apenas no nosso país, ante episódios polémicos que temos vindo a acompanhar de outros campeonatos pelo mundo fora.

Cá entre nos é quase comum vivenciarmos situações bizarras de arbitragem em quase todas as temporadas. No próprio Girabola, equipas há que descem de divisão em final do torneio, às vezes nem tanto pela sua fraca prestação, mas pela determinação de certos árbitros que, com actuações pejadas de erros, vai-se lá saber se propositados ou não, acabam por ditar o destino de quem se esmerou até ao limite para evitar o fracasso.

Realmente, não é salutar, tão-pouco admissível, que uma determinada equipa não chegue à vitoria por capricho de um árbitro. Porque esta equipa trabalhou durante uma semana inteira, com movimento de uma logística que tem custos, com um objectivo que é lograr a vitória. Logo, quando não atinge o objectivo porque viu um golo limpo anulado ou roubar-lhe um penálti, é doloroso.

No desporto, um mundo em que a sã convivência e o fair-play são recomendáveis, devia reinar paz, concórdia e respeito pelo trabalho de outrem. Não é o que acontece. Assiste-se a um cortejo de situações pouco abonatórias, sendo em regra os homens do apito a assumirem o protagonismo. É certo que num ou noutro caso também pode aperecer um treinador ou um dirigente que se excede no juízo ao trabalho de um arbitro, muitas vezes reclamando sem razão. Mas na maior dos casos fazem-no com razão.

Por tudo isso, a medida punitiva tomada pela FAF contra o árbitro António Caxala deve ser vivamente aplaudida. Pois, só com acções do género podemos corrigir um mal de que enferma o nosso futebol. Precisamos de higienizar o nosso campeonato e isto passa, necessariamente, por um trabalho de limpeza, com lixívia e potassa.

O golo mal anulado ao 1º de Agosto nos quartos-de-final da Taça de Angola destapou o véu. Pois, aquilo só não foi golo para a própria equipa de arbitragem. Dai que deixar impune uma "gafe" daquela grosseria seria institucionalizar a arruaça no futebol.

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