Jornal dos Desportos

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Opinio

Os milhes so o obstculo

19 de Junho, 2015
As exibições do atacante do 1º de Agosto Gelson ressuscitou uma discussão que já tem anos. Por que razão é que os jogadores angolanos potencialmente craques não dão o passo seguinte?

Há muitas respostas sobre a não transferência dos jogadores angolanos para campeonatos mais competitivos. Uns consideram o facto de não existir empresários (autorizados pela FIFA), outros a questão da língua, e ainda o facto de Angola não ser um mercado de referência futebolisticamente.

São questões que têm o seu peso. Embora a língua seja discutível ou um não-problema. Diz-se que o futebol tem uma linguagem universal. Só isso justifica o carrossel de transferências de jogadores das mais diversas nacionalidades de um canto para outro. Fala-se de jogadores como de treinadores. Portanto, é uma questão a não considerar como decisiva.

Quanto aos empresários, considero ser um dos grandes problemas, porém acho que o maior obstáculo é sem dúvida a cláusula de rescisão elevadíssima.

Há dois anos, na África do Sul, tive a oportunidade de conversar de maneira muita demorada com o director para o futebol da equipa sul africana Supersport United e o que ele me transmitiu é que reconhecem existir muitos jogadores talentosos em Angola, porém as cláusulas praticadas no futebol nacional são proibitivas.

O que explica que nos últimos sete anos só três jogadores tenham experimentado o futebol estrangeiro, europeu concretamente. Santana, Miguel e Bastos. Os dois primeiros foram numa mão e regressaram noutra. Ainda assim, têm no curriculum a passagem pelo futebol português e cipriota.

Santana não teve sucessos no futebol português e Miguel fez uma época no Chipre mas regressou no ano seguinte. Portanto, a discussão não assenta no sucesso ou insucesso dos jogadores.Embora seja importante, porque quando um jogador consegue brilhar abre as portas para outros, e ao contrário, fecha. Por isso, tem-se a ideia de que todos os nigerianos, camaroneses e ganeses e senegaleses são craques. É uma ideia de que encontro sustento no sucesso desses jogadores na Europa.

Reitero, no entanto, que o maior problema para a não transferência dos jogadores angolanos prende-se com as cláusula de rescisão. Os clubes angolanos têm uma febre pelos milhões.

Quase nenhum deles equaciona a possibilidade de ganhar dinheiro no futuro, de ver o jogador crescer competitiva e materialmente o jogador. Todos querem dinheiro agora e hoje, de preferência milhões.

Esse é o maior obstáculo quanto a mim. Os jogadores podem ter clausulas milionárias, mas terá de haver dos clubes a sensibilidades para receberem a maior parte quando o jogador responder as expectativas que sobre ele recaem.

Os grandes craques africanos foram contratados por ninharias, para aquilo que é nossa realidade. Hoje são milionários, grandes altruístas e contribuem para elevarem a bandeira dos respectivos países.

Não comungo por isso da ideia de alguns colegas meus, que acham por exemplo que Gelson, atacante do 1º de Agosto, não pode ser transferido por menos de dois milhões de dólares. A qualidade do jogador não está em causa, o problema prende-se com a incerteza de vir a "explodir" ou não. De vir a afirmar-se de facto onde for, esta é a questão que justifica que na sua primeira transferência sejam cobrados milhões. O 1 º de Agosto, enquanto clube de formação, vai ganhar sempre por cada transferência de Gelson. E mais do que isso, fica o emblema com reconhecimento internacional, e talvez se abram as portas para outros jogadores formados nesse clube.
Teixeira Cândido

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