Jornal dos Desportos

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Girabola

1 de Agosto solicita investigao

Betumeleano Ferro - 05 de Março, 2015

Direco do 1 de Agosto fala em foras estranhas no desafio da terceira jornada do Campeonato Nacional

Fotografia: Jos Soares

As frequentes queixas contra os árbitros deveriam ser levadas mais à sério por quem está em poder de decisão na Polícia ou no poder judicial. O conselho é do porta-voz da direcção para o futebol do 1º de Agosto, Carlos Alves, em entrevista ao Jornal dos Desportos. O porta-voz da direcção do futebol militar diz acreditar que há muitos indícios para se iniciar uma investigação séria e capaz de dissipar em definitivo todas as suspeitas de corrupção de que há muito se fala.

O clamor do 1º de Agosto e de outros clubes tem de ser escutado o mais rápido possível senão Carlos Alves mostra-se convicto de que o futebol nacional vai continuar a regredir. "Não nos estamos a queixar por termos perdido, já perdemos jogos e ficamos calados, o que nos preocupa é a verdade desportiva, há equipas que julgam jogar muito mas não jogam nada", garantiu.

Se ninguém quiser avançar com uma investigação, os militares alertam que a situação pode fugir do controlo, pois os danos vão ser irreparáveis.
"Quando acontecerem mortes nos estádios é que as pessoas vão querer agir, não é preciso morrer ninguém para se acabar com o que se tem passado nos nossos campos", avisou.

O 1º de Agosto tem sido punido de maneira sucessiva nos últimos anos por causa dos excessos dos seus adeptos, a equipa tem cumprido jogos à porta fechada, também tem pago multas. Mas quando reclama que está a ser prejudicado pelos árbitros ninguém dá ouvidos aos seus clamores.
"Quando há tumultos num jogo provocados por uma má decisão do árbitro, alguém tem de tomar medidas contra todos os que promovem a alteração da ordem pública", garantiu Carlos Alves.

A maneira como os adeptos militares reagiram no final do embate com o FC Bravos do Maquis convenceram Alves de que as pessoas estão a ficar cansadas de ver situações anormais.

"O que aconteceu no Luena tem de servir de sinal de alerta para as estruturas competentes tomarem as devidas medidas, a Polícia sofreu na pele porque as pessoas queriam ´comer´ o árbitro, que teve de sair no carro dos anti-motins, foi uma confusão à sério, a população ficou revoltada com a Polícia por não lhes deixar chegar ao árbitro", revelou.

TERCEIRA JORNADA
Militares viram mão invisível no Luena


O 1º de Agosto desconfia de alguns clubes do Girabola, quanto a influência nas decisões dos árbitros, relativamente ao jogo com o FC Bravos do Maquis. Apesar de omitir nomes, Carlos Alves, porta-voz da direcção para o futebol, considerou anormal os erros cometidos pelo trio liderado por Nuno Eduardo.

“Já começaram os filmes contra nós. Há clubes do campeonato envolvidos neste tipo de práticas erradas”, acusou. A ambição de ganhar, a qualquer preço, motiva os dirigentes de certas equipas a serem engenhosos no jogo de bastidores, com o único propósito de prejudicar concorrentes directos na luta pelo título, conforme Carlos Alves.

“Os patrocinadores deste tipo de prática continuam a promover actos ilícitos para tentar  afastar-nos do caminho”, reafirmou. O 1º de Agosto levou dois repórteres de imagens afectos à sua televisão ao Luena, os vídeos em posse dos militares aumentam a convicção de que alguém não estava interessado em ver-nos a ganhar.

“Não estamos a atirar-nos  contra o Maquis, porque ganhou bem. Estamos apenas a manifestar a nossa desilusão pelas coisas esquisitas que nos aconteceram em campo, aquilo que aconteceu não foi normal” A equipa de arbitragem liderada por Nuno Eduardo é acusada por Carlos Alves de ter tomado duas decisões que acabaram por influenciar no resultado final.

“Nos descontos  marcamos um golo limpo, o árbitro inclusive apontou para o grande círculo, mas depois recuou porque viu o seu assistente com a bandeira no ar. Logo a seguir, sofremos o golo da derrota, precedido de falta do jogador que passou a bola ao Rasca, apoiando-se nitidamente no nosso defesa, mas os árbitros não viram nada”, lamentou.
BF

CARLOS ALVES
“Não temos o hábito
de arranjar desculpas”

O porta-voz da direcção para o futebol do Clube Desportivo 1º de Agosto, Carlos Alves, lembrou que quando a equipa perdeu com a Académica do Lobito, em jogo da primeira jornada do campeonato, ninguém fez um reparo sequer ao desempenho dos árbitros, mas os acontecimentos do Luena causaram um grande desconforto à equipa.

“Os dois lances finais acabaram por ser decisivos para as duas equipas. Se o nosso golo fosse validado, seguramente podíamos ter vencido”, desabafou. O 1º de Agosto não tenciona enviar uma nota de protesto à Federação Angolana de Futebol (FAF), por causa da actuação de Nuno Eduardo e seus coadjuvantes, mas promete não ficar calado se no futuro voltar a ser prejudicado.

A equipa militar pretende levar sempre os seus repórteres de imagens nos jogos realizados frora, para depois não ser acusada de estar a falar sem provas. “Não temos o hábito de arranjar desculpas pelos nossos desaires. Quando perdemos bem, ficamos calados, apenas não queremos que nos aconteçam coisas estranhas”, afirmou Carlos Alves.

A tristeza dos que choram, por causa dos erros dos árbitros, contrasta com a alegria dos que conquistam títulos, mas o porta-voz assegurou que muitos clubes protegidos em Angola não conseguem ter a mesma protecção no continente.  “Aqui (no país) eles podem ser ajudado de todas as maneiras, mas quando vão às Afrotaças não conseguem fazer nada, porque acabam sempre por ficar nas primeiras eliminatórias”, sublinhou.
BF