Jornal dos Desportos

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Girabola

1º de Maio e 1º de Agosto sem chama do passado

08 de Outubro, 2016

O 1º de Maio sentencia hoje a continuidade ou não no campeonato nacional, quando receber às 15h00, no Estádio Municipal Edelfride Palhares da Costa

Fotografia: José Cola

O peso da tradição 'virou-se' contra o 1º de Agosto, de forma consecutiva, nas últimas deslocações à Benguela para defrontar o 1º de Maio. Os proletários contrariaram e impuseram a ditadura caseira, uma tendência que os militares tentam inverter a todo o custo , para manter a passada rumo à conquista do Girabola ZAP.

A boa nova é que as duas equipas vão ao Municipal com a mesma obrigação de vencer. Os donos da casa para manterem  a manutenção, enquanto os visitantes almejam encurtar a consagração. Ainda bem que existe a pressão dos dois lados, porque cada contendor vai ter a oportunidade de provar, se  tem ou não arcabouço competitivo para ir ao encontro dos objectivos.

Os proletários estão com a corda ao pescoço, mas nem por isso os militares vêem nisso um sinal de fragilidade, pois, as derrotas ininterruptas que sofreram em reduto alheio quando aparentavam estar muito mais fortes, serviu de alerta.

As duas equipas sabem o que significa uma vitória ou derrota no jogo, que é o mais atractivo de sábado. Há motivos para acreditar, que quer o 1º de Maio, quer o 1º de Agosto, vão esforçar-se por somar três pontos, único resultado que  permite depender, de um lado a manutenção,  e do outro, a conquista do título.

Até certo ponto, o 1º de Agosto tem mais motivos para esticar-se ao máximo possível em campo, em busca da vitória, porque necessitam imenso de pontos nesta fase crucial da prova para concretizar o sonho.

O líder do campeonato ainda tem certa margem de erros, devido a alguns passos em falso que deu nesta segunda volta, está proibido de regressar de Benguela com um empate, porque sente o aperto dos perseguidores.

O 1º de Maio está em desespero,  evita mais uma despromoção,  e uma vitória relança as chances de permanência por mais algum tempo, talvez até à próxima jornada, ao passo que uma derrota reduz  as hipóteses de continuar no Girabola ZAP.

A jogada de antecipação dos militares, que está desde quinta-feira nas terras das acácias rubras, é um recado sério para os proletários. A equipa de Dragan Jovic aposta tudo o que tem, para recuperar o doce passado que durante décadas fez lei, vencer em Benguela.

A condição física das equipas vai jogar um papel importante, mas é provável que a mente seja o factor decisivo, em campo. Os dois contendores entram pressionados e como o empate é o outro resultado que ambos podem obter, quem  controlar melhor os seus níveis de ansiedade pode ter motivos de festejar depois do apito final.

O jogo entre o 1º de Maio e o 1º de Agosto é de alto risco, este é um facto importante que  contagia também a equipa de arbitragem escalada para este jogo. Quantos menos erros os juízes cometerem, mais motivos as duas equipas têm para se manterem concentrados no foco, que é a conquista dos pontos em disputa.


FILIPE NZANZA
“Não queremos
perder  pontos”


O plantel do 1º de Agosto está centrado na visita ao 1º de Maio, e tem os olhos postos nos três pontos. O técnico -adjunto dos militares, Filipe Nzanza, garantiu que a preparação decorreu dentro da normalidade, e revelou que o regresso dos jogadores lesionados e castigados aumentou o número de opções.

“Penso que a semana de trabalho correu bem. Recuperamos o Gelson que esteve lesionado e temos o regresso de Ibukun, que cumpriu uma suspensão por acumulação de cartões amarelos, no jogo passado”, destacou.

“Temos o Makiavala lesionado, e não fará parte deste jogo em que o nosso único objectivo é a vitória, porque encaramos este embate como uma final”, disse o técnico em conferência de imprensa, no ex-RI20, na quarta-feira.

A equipa do 1º de Agosto encontra-se em Benguela, desde  quinta-feira, onde realizou dois treinos, quinta e sexta-feiras, no Estádio de Ombaka, ambientou a atmosfera da cidade e trabalhou na concentração defensiva, transição e finalização para manter na senda de vitórias.

“Sabemos que será um jogo difícil. O 1º de Maio precisa de pontos para fugir à zona em que se encontra, mas nós precisamos também de pontos, por isso, queremos ganhar o jogo, porque não podemos perder pontos”, comentou.

O técnico Dragan Jovic aposta num conjunto ofensivo sem descurar o aspecto defensivo, procura marcar o mais cedo possível, evitar sofrer golos, algo que não conseguiram nos últimos três jogos com  o Sagrada Esperança, Porcelana FC e Desportivo da Huíla.

Depois de economizar os golos com o Sagrada (1-1) e Porcelana FC (2-1) o ataque dos militares não teve meias medidas na goleada por 4-1 sobre o Desportivo da Huíla. Jorge Neto


1º DE MAIO
Proletários condenados a vencer


O 1º de Maio sentencia hoje a continuidade ou não no campeonato nacional, quando receber às 15h00, no Estádio Municipal Edelfride Palhares da Costa “Miau”, o 1º de Agostoque é o líder do campeonato.

Os proletários  para manterem a esperança e desatar o "nó da desqualificação"e  relativa folga, estão condenados a vencer, uma tarefa que se afigura complicada já que têm na frente um adversário forte, poderoso e apostou tudo na conquista do título.

O técnico Hélder Teixeira garantiu que a equipa está preparada para receber e vencer o 1º de Agosto, pese embora reconhecer as limitações competitivas da  rapaziada, agravada pela pressão que recai sobre eles.

O treinador não teve receio em afirmar, que espera uma partida extremamente difícil, mas não descarta a possibilidade de pontuar e promete redobrar o esforço para evitarem um novo deslize.

“Vai ser preciso inverter o curso das tendências, que infelizmente pesam a nosso desfavor. Juntos e unidos, podemos fazer mais que o adversário.
Apesar da  posição na tabela de classificação, já deu mostras que pode ser derrotado”, assevera o técnico do 1º de Maio de Benguela.

Sublinhou que como tudo na vida, o adversário apresenta também  fragilidades, com destaque para o capítulo emocional e espera tirar o maior dividendo possível. “Como qualquer equipa tem os seus pontos fortes e fracos. Tudo faremos para retirar o melhor rendimento dessas debilidades”, reiterou.

Hélder Teixeira assumiu que a direcção, a equipa técnica e os atletas estão cientes das responsabilidades,  prometem dignificar as cores do clube.
Para o desafio frente aos militares, o onze inicial pode ser o seguinte, num sistema táctico versado em 4x4x2: Leo, Abegá, Dino, Edson, Tobias e Muenho, Márcio Luvambo, Jamba, Eliseu e Maria Pia, Filipe e Lelas. 
Júlio Gaiano - Benguela


Luanda e Dundo
Dérbis agitam as duas cidades


O ASA tem esta tarde no Estádio dos Coqueiros uma boa chance de igualar os 32 pontos do Progresso do Sambizanga. Os aviadores já provaram nesta segunda volta, que querer é poder, uma realidade que os sambilas conhecem e que  evitam que volte a acontecer, ainda mais agora,  que vive a ressaca da qualificação para a final da Taça de Angola.

O dérbi acontece num bom momento para os dois contendores. Os aviadores voaram muito na classificação, e o espectro da despromoção parece coisa da primeira volta, mas há motivos para esperar que a equipa de Corola queira mais vitórias, antes de começar a pensar em descomprimir, face ao enorme esforço que fez no segundo turno.

A equipa do aeroporto conseguiu proezas importantes na segunda volta, e surpreendentes. Quem for aos Coqueiros não se assuste se o ASA dominar o Progresso. É ponto assente que os aviadores estão a atravessar bom momento de forma, além de provar que tem atletas que estão mais preparados para reagirem às situações adversas.

O Progresso do Sambizanga conseguiu na quarta-feira o apuramento para a final da taça, mas para atingir o êxito foi preciso chegaram à final do tempo regulamentar empatados num nulo, com o Domant. Uma vez mais, o fantasma dos empates impediu a equipa de Albano César de justificar o nome que ostenta. O treinador e os atletas precisam de um triunfo para recuperar o ânimo.

Em função da consistência aviadora, os sambilas vão aos Coqueiros com receio da visita de um adversário que gosta de agigantar-se quando menos se espera. O Progresso está pressionado a vencer, contudo, tem de acautelar-se porque os aviadores sabem o que é conviver com maus resultados e podem tirar bom partido do que sabem, para prolongar a seca de vitórias aos sambilas.

O Dundo deve fervilhar esta tarde, mas com o dérbi do leste, Sagrada Esperança - Progresso da Lunda Sul. A proximidade geográfica entre as lundas faz com que as bancadas sejam preenchidas com adeptos das duas equipas, um ingrediente capaz de fazer diferença no desempenho competitivo dos atletas, em parte porque os derbies são sempre incertos.

As duas equipas estão separadas na classificação por quatro pontos, favoráveis a formação orientada por Kito Ribeiro, um detalhe que  dá um ligeiro favoritismo. A deslocação ao Dundo pode ser coroada de êxito, se os forasteiros resistirem à tentação de pensar que vão fazer turismo em campo, por causa da fase menos boa por que passa o oponente.

A esperança tornou-se realidade para o Sagrada na jornada transacta. De virada, a equipa venceu fora de portas a Académica do Lobito, por 2-1. Há motivos para acreditar que o primeiro triunfo obtido pelos diamantíferos a jogar fora de casa,  foi conseguida por meio da uma falta de comparência, pode mudar alguma coisa no seio da equipa.