Jornal dos Desportos

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Girabola

1º de Maio supera Sagrada

J?LIO GAIANO, EM BENGUELA - 25 de Setembro, 2017

Proletários às ordens de Agostinho Tramagal tiveram competência para anular a vantagem (2-0) dos lundas no jogo da primeira mão dos oitavos-de-final

Fotografia: Jose Cola | Edições Novembro

Mesmo com fome, sálarios em atraso (quatro meses) e uma semana sem treinar, os jogadores do 1º de Maio de Benguela foram competentes no jogo de ontem, no Edelfride da Costa “Miau”, válido para a primeira mão dos oitavos-de-final da Taça de Angola. Ou seja, a ditadura proletária no segundo tempo, principalmente a partir do minuto 53, altura em que o Maio reduziu a desvantagem no marcador para 1-2, por intermédio de Brasuca, não permitiu com que o Sagrada Esperança, que vencia por 2-0, saísse em vantagem nos primeiros 90 minutos da eliminatória.

E, como do costume, o obreiro do empate e da reviravolta proletária foi Caporai. O "menino golo" dos comandos de Agostinho Tramagal, aos 86´ e aos 90+1´, disse um "basta" a superioridade diamantífera no marcador. A vitória do 1º de Maio de Benguela resulta da grande segunda parte que fez. O facto de ter estado 52 minutos em desvantagem não constituiu motivo para a equipa desmoronar. Pelo contrário. Os jogadores foram autênticos heróis. Lutaram, correram e tiveram capacidade para fazer a reviravolta.

O 1º de Maio sob comando técnico de Tramagal mostrou, mais uma vez, que não está para brincadeiras. O Sagrada Esperança que o diga. Mesmo em vantagem no marcador, os lundas não souberam conservar a vantagem que construíra por intermédios de Trésor (26´) na marcação de um penálti e Adó Pena (52´). Envaideceram-se e perderam muito tempo com à velha prática de queima de tempo.

Com a queima de tempo, os diamantíferos tentaram enervar o adversário só que, para sua infelicidade, deram-se mal. Os proletários não se deixaram levar pela “malandrice” dos liderados por Ekrem Asma que acabaram derrotados por culpa própria. Aliás de outra forma não poderia acontecer, tanto mais que nos últimos 15 minutos da contenda, deixaram-se bater. Já não atacavam e acusavam cansaço.

O facto foi aproveitado pelos pupilos de Agostinho Tramagal para fazer das suas. Tomaram conta da situação e passaram pressionar o último reduto dos lundas que, de tanto aguentar, acabaram por sofrer três golos que sentenciaram a sua derrota. Brasuca, aos 58´, iniciou a reviravolta. Caporai (86´ e 90+1´) juntou-se ao primeiro para serem os culpados pela “desgraça” dos comandados do turco-alemão que prometem corrigir as falhas no jogo da segunda-mão, a acontecer já na próxima quarta-feira, no Dundo. Pela forma que se viu, não vai ser fácil, porquanto os proletários estão uma senhora equipa. Jogam para valer, aliás, o triunfo conseguido a ferro, ontem no estádio municipal Edelfride Palhares da Costa “Miau” provou isso mesmo.


TÉCNICO DO 1º DE MAIO A. Tramagal 

“Estivemos melhor ”“Sabíamos de antemão que íamos defrontar um adversário forte e que causaria inúmeros problemas. Foi justamente o que se viu. Entrámos mal e acabámos por sofrer dois golos que nos obrigou a mudar de estratégia. Os meus jogadores foram felizes, sacudiram a pressão e com mestria inverteram o quadro que parecia enegrecido. Ganhámos o jogo porque no fim estivemos melhor. Valeu pela entrega dos meus jogadores. Por isso, dedico a eles a vitória”.


TÉCNICO DO SAGRDA
Roque Sapiri


“Nada está perdido”“A nossa equipa perdeu o controlo do jogo nos últimos minutos, daí o descalabro. O 1º de Maio comportou-se bem e mereceu a vitória. Infelizmente, não soubemos conservar a vantagem de dois golos que construímos. Por falta de concentração deixamos fugir aquilo que seria um resultado confortável para a segunda mão. Mesmo assim, nada está perdido. Vamos trabalhar no sentido de virarmos a resultado em nossa casa, até porque os dois golos aqui (em Benguela) rubricados podem ajudar nas nossas pretensões”.
 
ARBITRAGEM
jA actuação do trio de arbitragem liderado por Rodrigues Aleixo pautou-se pela positiva. Ao longo dos 90 minutos esteve impecável. Tomou conta da situação e impôs ordem e disciplina no jogo. Foi implacável na expulsão do atacante do Sagrada Filipe. Bom trabalho.