Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

40 anos de emoes

Policarpo da Rosa - 09 de Dezembro, 2019

Fotografia: Arquivo Edies Novembro

Nestes  40 anos de existência do Girabola o nome do brasileiro Rivaldo destaca-se entre os nomes sonantes de jogadores, que evoluíram na maior prova do calendário desportivo do nosso futebol. Como é do conhecimento público, dinheiro é uma das coisas que mais manda no futebol. Além da boa gestão, o jeito de bem fazer o clube lucrar é ter jogadores de grande nível no seu plantel. São os nomes sonantes que valorizam os planteis das equipas. Foi pensando nisso, que, em 2012, Bento Kangamba, foi ao Brasil buscar o Rivaldo, que em 1999 foi galardoado como o melhor jogador do mundo. Todos retêm na memória o percurso do atleta que, entre outros, brilhou no Palmeiras e S. Paulo, ambos do Brasil, FC Barcelona (Espanha) e no AC Milan (Itália), onde não apenas como desportista, mas também como Homem, se transformou num ídolo, venerado por adeptos daqueles clubes e de vários quadrantes do globo. Rivaldo, que jogou no Barcelona e foi campeão do mundo pela selecção brasileira (2002), actuou durante a época 2012 pelo Kabuscorp do Palanca no campeonato nacional de futebol da I divisão, vulgo Girabola, marcando 11 golos em 21 jogos, ficando a três do melhor marcador da prova, o atacante do Progresso do Sambizanga Yano. O vai e vem do mercado futebolístico nestes 40 anos do Girabola seguiu frenético. O Kabuscorp estabeleceu, naquela altura, um novo recorde para transacções entre os clubes nacionais.
Os valores transaccionados nunca foram revelados. Bento Kangamba sempre se manteve no silencio, mas não é com os cofres vazios que se vai buscar um jogador de nivel mundial como o brasileito Rivaldo. Contudo, apesar de desconhecer os valores que o clube do Palanca desembolsou, não tenho dúvidas em dizer que Rivaldo foi a contratação mais cara de um clube angolano desde então.
Durante os 40 anos de existência do Girabola, houve clubes que contrataram reforços muito badalados, enquanto outros correram por fora, por terem alcance financeiro menor. Porém, hoje podemos dizer que a contratação de Rivaldo, por parte de Bento Kamgamba,  não foi a melhor opção. O clube, que na altura mostrou a maioria ousadia financeira, comparado a outros com menor capacidade, onde esta hoje? Esta é a grande questão. Aliás, na altura, várias pessoas ligadas ao futebol e não só foram contra à decisão tomada pelo empresário/proprietário do clube, argumentando que o atleta, na altura com 39 anos de idade, não iria oferecer nada ao futebol nacional. Quem tudo quer, tudo perde. É a actual realidade do Kabuscorp. Devido ao não pagamento do dinheiro que devia a Rivaldo foi sanciodado pela FIFA e hoje está na agonia. O internacional brasileiro Rivaldo, que alinhou pela formação palanquina em 2012, reclamou uma dívida de 750 mil dólares ao clube angolano, tendo apresentado a reclamação à FIFA, que lhe deu razão.
Foi desalojado do Girabola e no próximo ano vai disputar a Segundona, prova que o poderá levar de regresso ao Girabola. Portanto, este caso mostra que o valor financeiro do Kabuscorp não era para grandes gastos. Havia necessidade de se fazer uma gestão cuidada. Não se fez e hoje o clube está onde está, para agonia dos seus adeptos. Luxo na miséria. Há alguma dúvida? Os números pagos por Bento Kangamba para a contratação de Rivaldo, mostram o grande montante de dinheiro que o Girabola concentrou nestes 40 anos de existência. O grande caso de disparidade e desigualdade entre as equipas esteve e está na diferença entre o elenco mais valioso contra o menos valioso. Por exemplo, o plantel do Kabuscorp era quase 12 vezes mais valioso do que o do Nacional de Benguela. Ou seja, seria necessário 11 vezes o grupo de atletas dos nacionalistas para chegar a um valor aproximado da lista do conjunto do Palanca. A luxaria do clube do Palanca não se ficou por aí. Mesmo com o caso Rivaldo a seguir os seus trâmites na FIFA, Bento Kangamba foi ao Motema Pembe, da RDC, buscar a sua grande estrela: Tresor Mputo. Quem não tem não inventa modas, diz o velho adágio popular. Se os meus cofres estão vazios, em vez de comprar uma Garoupa compro umas Lambulas ou umas Paietas.
A verdade é que o Kabuscorp voltou a cometer os mesmos erros que cometera com Rivaldo.  O caso Tresor Mputo foi igualmente a FIFA, pelo facto do clube do Palanca não honrar com os compromissos assinados com o atleta. Nestes 40 anos de existência do Girabola, o "Caso Rivaldo" foi o de maior destaque. Houve outros, claro, mas este teve uma dimensão nunca antes imaginada. O facto do clube ter sido rebaixado para a Segunda Divisão diz tudo.