Jornal dos Desportos

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Girabola

4 de Abril trava militares

Pedro Augusto - 24 de Julho, 2016

Agostinos empataram ontem em Menongue com o 4 de Abril do Cuando Cubango no arranque da 18 jornada

Fotografia: Jornal dos Desportos

A equipa do 1º de Agosto, à semelhança do sucedido nas últimas duas edições do campeonato da primeira divisão, está a cometer os mesmos erros na segunda volta do Girabola Zap 2016. Ou seja, perder pontos com adversários de "outro campeonato", como aconteceu ontem em Menongue, diante do sobressaltado 4 de Abril do Cuando Cubango, com quem empatou sem golos.

Se por um lado, a repartição de pontos premeia o esforço e determinação dos "homens da paz", por outro, castiga os militares que em nove pontos possíveis, conseguiram apenas cinco. Isso demonstra que os agostinos não conseguiram "desfazer-se" do empate do jogo passado com o Progresso Sambizanga.

O "encravar" das armas do 1º de Agosto pode ter duras consequências nas próximas jornadas do campeonato. E o aperto pode acontecer já está tarde. Para tal, bastará que o Recreativo do Libolo vença o Interclube, em Calulo, no encerramento da jornada, uma vez que ficaria com menos um ponto que o líder  (40/39).

Quem não aproveitou a escorregadela do 1º de Agosto para reduzir para quatro a diferença pontual foi o Petro de Luanda. Os tricolores, na deslocação a Saurimo, não foram capazes de segurar a vantagem de dois golos construída aos 17 minutos.

Os golos marcados pelo brasileiro Tiago Azulão, aos 8 e 17´, deram a sensação de que a equipa de Beto Bianchi conseguiria um resultado gordo nas terras do diamante. Porém, o atacante Mango, aos 45 e 90+5´, o último na marcação de um penálti, não permitiu com que os tricolores saíssem vitoriosos da Lunda Sul.

Em situação aflitiva no campeonato está o candidato Kabuscorp. A equipa treinada por Romeu ainda não venceu desde que o antigo seleccionador nacional rendeu Miller Gomes no comando técnico.

Ontem, no Dundo, o máximo que a equipa do Kabuscorp fez foi evitar a derrota. Melhor, os comandados de Filemon, em desvantagem no marcador (perdiam por 1-0),  tiveram forças para chegarem ao empate.


HORÁCIO  MOSQUITO
“Salários dos atletas
estão desajustados”


O agente desportivo Horácio Mosquito, ligado ao Recreativo da Caála, considerou desajustados da realidade do país os salários que os clubes pagam aos seus futebolistas. Segundo ele, os valores pagos aos jogadores não têm razão de ser, nas condições actuais, já que os clubes no final de cada competição não têm retorno financeiro.

“Muitos futebolistas no nosso campeonato, sejam eles nacionais ou estrangeiros, têm qualidade para auferirem estes altos salários (não especificou), mas para quem paga é sempre um alto custo, por não ter retorno”, justificou.O dirigente dos caalenses defendeu uma "séria reflexão" sobre o assunto, por entender que os clubes estão a pagar salários além do valor real dos campeonatos nacionais.Argumentou que tal facto é consequência da inexistência de uma "cadeia de valor no panorama desportivo nacional", principalmente no campeonato da primeira divisão.

Tudo isso, explicou em entrevista à Angop, acontece porque a indústria desportiva do país não está sedimentada de tal forma a favorecer a existência de uma cadeia de valor concreta, que permita os clubes terem retorno no final de cada competição.

Horácio Mosquito, que não avançou pormenores sobre o que considera salários "altos", fez estas declarações na semana em que o clube 4 de Abril do Cuando Cubango anunciou intenção de desistir do Girabola Zap 2016 por dificuldades financeiras. Pelas mesmas razões já havia "ameaçado" deixar a competição o Porcelana do Cuanza Norte, que entretanto superou a situação e mantém-se em prova.