Jornal dos Desportos

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Girabola

Abandono anunciado

J?lio Gaiano, em Benguela - 12 de Julho, 2017

Presidente do clube benguelense acusa pessoas de sabotar o trabalho na agremiao

Fotografia: Paulo Mulaza | Edies Novembro

A crítica situação financeira que atravessa o Estrela Clube 1º de Maio de Benguela, pode levar à desistência, nos próximos dias, da equipa principal de futebol do Campeonato Nacional da Primeira Divisão. A crise tomou conta de tudo, e as divergências no seio da direcção agudizam-se, dia após dia. O presidente proletário, Wilson Fernando Faria, está determinado em colocar o lugar à disposição, caso as coisas se mantiverem inalteradas.

O 1º de Maio de Benguela necessita de 250 milhões de kwanzas, no mínimo, para terminar o Girabola Zap. Sem um patrocinador oficial, o clube sobrevive da quotização dos associados, cerca de 5000, na sua maioria professores e enfermeiros a quem são descontados mil kwanzas dos seus ordenados mensais.

“Para se ter uma ideia, as despesas mensais do 1º de Maio estão avaliadas em cerca de 20 milhões de kwanzas. Os associados contribuem com 4 milhões e os outros 16 milhões de kwanzas são suportados por mim, recorro a fontes alternativas.”, lamentou Wilson Faria.

Face esta realidade, o dirigente do 1º de Maio de Benguela pondera abdicar do cargo, e dedicar-se à sua vida privada. Afirmou que sacrifica parte do seu dinheiro para sustentar a equipa principal na primeira divisão, por isso, enquanto os seus detractores continuarem apostados em inviabilizar o seu projecto, garante que prefere abandonar o barco.

“O 1º de Maio não é minha propriedade. Se não me quiserem na direcção, quem sou eu para negar isso. Estou aqui para servir, dar o máximo de mim, no sentido de manter a vitalidade de um clube, que num passado recente trouxe muitas glórias e alegrias para a província e para o país, e que  carece de apoios de toda a sociedade benguelense. Com querelas não vamos a lado algum”, aludiu.

O 1º de Maio de Benguela ocupa a 11ª posição, com 21 pontos, 13 dos quais conquistados no seu reduto. Dos 18 jogos realizados (falta jogar contra o Libolo, para a 19ª jornada), os proletários somaram seis vitórias, três empates e nove derrotas. Marcaram 23 golos e sofreram 33 tentos, um diferencial de 10 tentos negativos.


“FAMÍLIA PROLETÁRIA”
Rui Teixeira defende mais diálogo


A decisão do presidente do 1º de Maio de Benguela, Wilson Faria, de querer abandonar a liderança do clube, mereceu pronta reacção do antigo treinador do grémio, Rui Alberto Teixeira, que diz ser um assunto sério e que exige a intervenção da sociedade benguelense.

O professor Rui Teixeira defende, que as pessoas devem unir-se e dialogar mais, de forma a entenderem os problemas que existem, e dirimi-los mais cedo quanto antes. Na sua óptica, uma possível saída de Wilson Faria pode reflectir negativamente na estrutura do futebol sénior, que até certo ponto, “está a realizar um campeonato razoável e com fortes possibilidades de manter-se na primeira divisão nacional”.

“Considero uma saída extemporânea, na medida em que o 1º de Maio precisa de uma direcção coesa e unida, em que as ideias fluem com precisão. Com querelas fica difícil. Espero que a sociedade benguelense se mobilize, e angarie apoios necessários para a equipa continuar a competir, sem sobressaltos. As forças vivas da província são aqui chamadas para intervir, e acabar com os males entendidos, que no fundo, só nos divide”, precisou.

Rui Teixeira confia na verticalidade do presidente Wilson Faria, garante que vai manter-se na liderança até ao fim do mandato, que termina em Dezembro de 2020. Apelou, por isso, aos demais apoiantes do 1º de Maio de Benguela a depositarem confiança na actual direcção e solidarizarem-se com o seu presidente, que apesar da crise financeira que enfrenta, continua firme na materialização do projecto que visa criar o auto -sustento financeiro para a colectividade desportiva.
JG