Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Acadmica do Lobito continua em prova

26 de Julho, 2017

Lobitangas vivem de incerteza na principal competio futebolstica nacional

Fotografia: Jos Soares | Edies Novembro

A direcção da Académica Petróleos do Lobito pode recuar da posição anunciada, de retirar a equipa do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, por dificuldades financeiras. O Jornal dos Desportos soube, que a direcção do clube vai suportar os gastos até aonde der, para evitar a desistência do plantel do Girabola Zap2017, competição em que ocupa a 14ª posição com 15 pontos.

O indicadores apontam  isso mesmo. Apesar da manifesta inquietação do  presidente de direcção Luís Borges, a equipa técnica continua a trabalhar no duro, a pensar no desafio diante do Desportivo da Huíla, no próximo domingo às15h00, no Estádio dos Kuricutelas, no Lubango.

Os dirigentes dos estudantes queixam-se da falta de dinheiro, para suportarem as despesas inerentes à competição. O silêncio da patrocinadora oficial, ESSO Exploration-Angola, por intermédio da Sonangol, colocou a direcção do grémio lobitanga numa situação embaraçosa. As dívidas acumulam-se,  fala-se mesmo de dois a três meses de  salários em atraso, para além do não cumprimento na totalidade dos contratos com alguns jogadores.

“A situação é critica, na medida em que não há solução à vista. Está tudo escuro. Passados que foram sete meses, isto é, desde Janeiro que continuamos à espera que a patrocinadora (ESSO Exploration Angola) nos diga alguma coisa. O silêncio assusta-nos a todos. A tesouraria do clube está a zero, e as dívidas acentuam-se, por isso, há que tomar alguma decisão. Retirar-se da prova e evitar que o pior aconteça, com todos os estragos que daí possam resultar”, disse o presidente Luís Borges.

As declarações do presidente aconteceram numa altura em que a situação da equipa no terreno estava a titubear,  agravadas por alegadas injustiças protagonizadas pelos erros de arbitragem  na óptica dos seus dirigentes, membros da equipa técnica, assim como dos associados, prejudicaram a equipa. Daí, que para os observadores atentos ao evoluir da situação, tratou-se mais de um desaforo e que escapuliu na implícita necessidade de se acabar com a “malandragem”, que até à essa altura se fazia vincar no Girabola Zap2017.

Uma possibilidade que aos poucos começa a ganhar consistência, pelo facto de duas semanas depois da anunciada retirada da competição, a direcção ainda não ter avançado com o processo administrativo a oficializar junto da FAF a aludida retirada da equipa da primeira divisão. Pelo contrário, os serviços administrativos estão a trabalhar no dossier, para a deslocação da equipa à cidade do Lubango.


Administrado do Lobito 
Ngongo pede calma e ponderação


A decisão tomada pela direcção da Académica do Lobito mexeu com os lobitangas , que depressa clamaram à intervenção de quem de direito. É a imagem e o prestígio do futebol local que está a ser posta em jogo. O administrador municipal do Lobito, Alberto Ngongo, reprovou a decisão e aplacou os ânimos.

O professor Alberto Ngongo reconheceu tratar-se de um assunto delicado,  que exige da direcção da Académica do Lobito calma e ponderação, antes de  materializar a sua posição. Sugeriu, por isso, a discussão do assunto em assembleia-geral, em que os associados tenham algumas palavras a dizer, e quiçá, encontrar alternativas para a saída da crise, que na sua óptica paira na maioria dos clubes nacionais.

“A Académica do Lobito é um património do município. Não deve ser tratado de ânimo leve, por isso, é preciso calma e muita ponderação antes de tomar qualquer medida arrojada como essa, que pode mexer com o orgulho e a honradez dos lobitangas. Os associados devem reunir-se em assembleia-geral e encontrar fórmulas para salvar a equipa de uma possível ‘pouca-vergonha’. Falta dinheiro sim, disto estamos solidário com a direcção, mas de uma coisa não nos escapa: a imagem do clube e do município sai beliscada, é disso que nos preocupa, por isso, há que se encontrar solução”, apelou.

Alberto Ngongo garante que a administração municipal continua a envidar esforços no sentido de mobilizar os apoios junto da sociedade lobitanga, mormente, da classe empresarial (pública e privada) de forma a associarem-se aos esforços da direcção, que tudo faz para manter a equipa na primeira divisão.

“No que nos toca como governantes do município, vamos promover a nossa advocacia no sentido de angariar os apoios necessários para o clube. A Académica está a atravessar momentos difíceis, o seu presidente faz (até) o impossível, retirar das suas poupanças para alimentar os interesses do clube. Um clube que deve ser acarinhado e apoiado por todos os lobitangas. Sozinho, não se vai longe, aliás, a experiência está aí, à vista de todos (…)”, precisou.
 JG