Jornal dos Desportos

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Girabola

Afastamento de Alegre divide os adeptos

J?lio Gaiano -Lobito - 18 de Março, 2017

O fim do vínculo contratual com o professor António Alegre não goza consenso de todos apoiantes da Académica do Lobito

Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

 Para alguns, foi uma decisão acertada pela direcção ao passo que aos demais julgam-na como precipitada, a julgar pela qualidade do plantel disponibilizada à equipa técnica.

O anúncio da sua destituição aconteceu na passada quinta-feira pelo presidente do clube, Luís Gonçalo Borges, que evocou acordo mútuo, para de seguida desejar boa sorte ao técnico. Na óptica dos apoiantes desta tomada de decisão, foi uma notícia há muito esperada, em função daquilo que foi a prestação da equipa nos últimos dois jogos.

No seu entender, a derrota frente ao 1º de Maio de Benguela constituiu uma “desonra” que dificilmente muitos lobitangas toleram. E piorar do que isto, na jornada seguinte, a equipa não soube tirar proveito do factor casa e deixou-se bater por um adversário do seu campeonato, o Desportivo da Huíla, por claros dois a zero. Diante desta realidade, nada se podia fazer senão mandá-lo ao “desemprego”.

Na verdade, foi uma tomada de decisão que acabou mal para quem esperava dar o máximo de si, de forma a ajudar a reestruturar e formar uma equipa forte do ponto de vista competitivo e capaz de protagonizar uma das melhores campanhas no GirabolaZap. Infelizmente, tal não passou mesmo de um sonho. No terreno a equipa rendeu menos e, como consequência, nasceu o esperado divórcio de um casamento que ligava o técnico e a direcção, três meses depois.

DISCORDÂNCIAS
 O fim do vínculo contratual com o professor António Alegre não goza consenso de todos apoiantes da Académica do Lobito que, consideram precipitada, o que pode prejudicar no rendimento da equipa na prova.

Para eles, apesar dos últimos desaires, denotava-se na equipa alguma melhoria competitiva. O sector defensivo estava a merecer a atenção especial da equipa técnica, tanto mais que foram ensaiando alguns jogadores para aquele sector.

A situação não está para menos. A saída de António Alegre, por alegada fraca produtividade da equipa na prova, promete dar que falar. Muita coisa está por se esclarecer. Nos últimos tempos, o técnico viu o seu poder de decisão limitado pela direcção que, dentre outras acções, o “coarctou” da possibilidade de dirigir-se à imprensa sem que receba a autorização do presidente do clube.


Fraca pontuação em cinco  jogos disputados


António Alegre foi contratado pela direcção da Académica do Lobito, com o objectivo único de melhorar a prestação da equipa no GirabolaZap e desta livrar-se do espectro da despromoção, à semelhança do que sucedeu nas temporadas passadas.

Para a infelicidade do substituto de António Lopes “Chiby”, na prática as coisas correram mal e os resultados produzidos pela equipa, em campo, assustavam a direcção que, sob a pressão de alguns adeptos, decidiu rescindir o contrato com o técnico António Alegre e o seu adjunto, Armindo  Pereira, que vêem o seu trabalho interrompido, três meses depois, sob a liderança de uma equipa que, num universo de 18 pontos, somou 4, marcou 5 golos e sofreu 13.

O balanço foi, na óptica dos dirigentes da Académica do Lobito, considerado negativo. A equipa poderia fazer mais e melhor, a julgar pelo nível competitivo dos adversários que defrontou e perdeu nas duas últimas jornadas. “Se perder com o 1º de Maio já foi duro, voltar a cair aos pés do Desportivo da Huíla foi, sem dúvidas, um descalabro”, confidenciou um dirigente do grémio lobitanga. 

Enquanto a direcção procura por um novo técnico no mercado local, a direcção da Académica Petróleos Clube do Lobito confiou ao professor Rui Garcia, preparador físico, e Pickot Sambaka, técnico dos guarda-redes, para assumirem o comando da equipa técnica na deslocação ao Moxico para o desafio contra o FC Bravos do Maquis, no domingo à tarde, no estádio municipal Jones Kufuna Yembe “Mundunduleno”.