Jornal dos Desportos

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Girabola

Amargo triunfo

Jorge Neto - 20 de Fevereiro, 2017

Campeão nacional ficou a um golo da qualificação à fase seguinte do apuramento à Liga dos Clubes Campeões Africanos

Fotografia: José Soares

Os dois golos marcados pelo 1º de Agosto foram insuficientes para a equipa garantir a passagem para a segunda eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos de futebol. Tudo porque o Kampala City do Uganda, conseguiu marcar um golo no estádio 11 de Novembro, que acabou opor ditar a queda dos militares na primeira esquina.

Os militares entraram com a lição bem estudada, com um futebol totalmente ofensivo, chegando mesmo a introduzirem a bola no fundo da baliza adversária, aos 5´, por Geraldo, mas anulado pelo árbitro, pelo facto de o jogador do 1º de Agosto se encontrar em posição de fora de jogo. O mesmo atleta esteve envolvido na segunda boa ocasião para visar a baliza adversária, mas o “chapéu” oferecido ao guarda-redes ugandês teve bastante altura.

Contudo, rapidamente os visitantes trataram de equilibrar as coisas, rematando nas duas ocasiões que tiveram, obrigando Tony Cabaça a defesas seguras. Os ugandeses subiram mais no terreno de jogo, pressionando os agostinos a partir da zona de construção das jogadas, onde perdiam muitas bolas.

Depois de tanto avisar o Kampala City, numa altura em que o guarda-redes Tony Cabaça se destacava pelas grandes intervenções, o avançado Geoffrey Serrunkuma, aos 22´, voltou a fazer das suas, depois do único golo do desafio da primeira mão. Culpas para a defesa rubro-negra que deixou um "buraco" no centro para o goleador ugandês aparecer isolado e empurrar a bola para o fundo da baliza.

Com o golo sofrido os campeões nacionais tinham uma desvantagem a dobrar na eliminatória , ou seja, precisavam de marcar três golos para continuarem na competição. A tarefa era ainda mais difícil, mas sempre acreditaram , principalmente  a partir dos 31´, quando Buá empatou o jogo, após finalizar uma assistência de Nelson.

O jogo ficou mais veloz e emotivo. Ao 1º de Agosto faltam dois golos para garantir a passagem para a segunda eliminatória. O público nas bancadas puxava pelo conjunto angolano, que galvanizado chegou ao tento aos 38´, com uma cabeçada de Geraldo, após um cruzamento de Isaac.

Nesta etapa do desafio só dava 1º de Agosto. Os pupilos de Dragan Jovic procuravam com determinação o golo da qualificação, deixando o adversário sem opções para contrariar o domínio da equipa da casa. Nisso, Diogo Rosado fez o terceiro golo aos 45´, mas o árbitro congolês Lazard Tsiba anulou de forma errada, sancionando um fora de jogo inexistente.

No reatamento, tudo estava em aberto para as duas equipas, mas era o conjunto angolano quem corria para anular o prejuízo. Aos 64´, Nelson esteve bem perto de marcar, mas viu um defesa negar-lhe o golo, quando o guarda-redes já estava batido.

Com o passar do tempo o jogo voltou ao equilíbrio, as duas equipas tiveram oportunidades para marcar, mas a principal ocorreu com os visitantes, aos 71´, com um forte remate que obrigou Tony Cabaça a fazer a defesa da tarde, para de seguida voltarem a criar calafrios à defesa militar.

Faltava o golo da qualificação e o conjunto angolano parecia acusar a pressão do jogo, aliado ao desgaste físico que se apossou dos jogadores. Nem mesmo as alterações feitas por Dragan Jovic surtiram os efeitos desejados. Em função disso, os jogadores ugandeses, principalmente o guarda-redes Benjamin Ochan, abusou da queima detempo até ser admoestado com a cartolina amarela.                                                                                    

ARBITRAGEM
Apito comprometeu


O árbitro congolês democrático, Lazard Tsiba, comprometeu o seu trabalho ao invalidar o golo de Diogo do Rosado, aos 45´,por alegado fora de jogo de Geraldo, que fez o cruzamento. A situação foi mal ajuizada pelo primeiro assistente Styven Danek, que precipitou-se em sancionar o ataque agostino. O golo seria o terceiro do conjunto angolano e o colocaria desde já em vantagem na eliminatória. Porém, isso não aconteceu e a formação do ex-RI 20 foi para o intervalo ainda por decidir a sua situação. No segundo tempo, o juiz cometeu igualmente alguns erros, principalmente no capítulo disciplinar, pois ficou por advertir com o cartão amarelo os jogadores ugandeses, por faltas duras e algumas trocas de lançamento lateral.

MELHOR EM CAMPO
Mãos seguras
de Tony Cabaça

O guarda-redes do 1º de Agosto, Tony Cabaça, foi um dos destaques do jogo, com defesas seguras, dando garantias aos seus companheiros de equipa. O experiente guardião militar apareceu nos momentos cruciais do desafio, negando o golo em várias ocasiões aos jogadores adversários. Tony Cabaça fez uma grande exibição, fazendo esquecer a ausência de Dominique, habitual titular na baliza agostina, que falhou o jogo por lesão. Não teve culpa no tento que sofreu e tratou de garantir que mais nenhum entrasse, quando falhassem os seus colegas da defesa, que em algumas ocasiões deixavam isento de marcações os adversários ou escorregavam no momento do corte.

DECLARAÇÕES DOS TÉCNICOS
“Falhámos
 o objectivo”

“O 1º de Agosto fez um grande jogo, marcámos três golos mas apenas dois foram validados, não sabemos por que carga de água. Sabíamos que o adversário era difícil, mas fizemos o nosso jogo. Faltou marcar mais golos e só nos resta pensar apenas nas outras competições (Girabola Zap e Taça de Angola). Em relação as substituições pensamos que não fizemos de forma tardia, acredito que foi um bom jogo para nós, mas infelizmente falhámos o nosso objectivo que era passar esta eliminatória”.
Ivo Traça (1º de Agosto)

“Conseguimos
marcar”

“Sabíamos que seria um jogo difícil, porque o adversário já havia mostrado no primeiro jogo, que podia complicar os nossos objectivos aqui em sua casa. Felizmente conseguimos marcar um golo, que era uma das metas que tínhamos traçado e aguentamos o ataque do 1º de Agosto nos primeiros minutos. Podíamos ter feito mais golos, mas o guarda-redes esteve muito bem. Estamos satisfeitos pela nossa qualificação e felicito o adversário pela forma como jogou e honrou a nossa qualificação”.

Mike Mutebi (Kampala City)