Jornal dos Desportos

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Girabola

rbitros do jogo de Calulo assumem erros cometidos

Betumeleano Ferro - 24 de Agosto, 2016

Confronto entre Libolo e 1 de Agosto afectado pela m actuao do trio de arbitragem

Fotografia: Santos Pedro

A falta de cargas nas baterias do sistema de comunicação, é um dos argumentos de defesa da equipa de arbitragem, que ajuizou o jogo entre o Libolo e o 1º de Agosto, liderado por Mauro de Oliveira para justificar o facto de não assinalarem as grandes penalidades à favor das duas equipas, revelou ontem ao Jornal dos Desportos, uma fonte do Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola "CCAFA".

O dirigente assegurou que no decorrer do jogo, os equipamentos de suporte, auricular e bandeirolas beeps, começaram apresentar algumas falhas porque as baterias estavam sem carga. Quando aconteceram os lances polémicos, o árbitro ficou na dúvida e teve receio de decidir por conta e risco.
O facto dos colegas não terem feito nenhum dos dois tipos de sinalética exigidas, levantar a bandeirola e apontar para o livre directo, ou penálti, para a equipa atacante, levou o líder da equipa de arbitragem a não tomar qualquer decisão.

Para analisar com os seus associados, dentre outras questões, os argumentos de razão da equipa de arbitragem chefiada por Mauro de Oliveira, o CCAFA realiza esta noite a reunião semanal para avaliarem a gravidade do sucedido. O JD sabe que a instituição tomou nota das explicações do quarteto de árbitros, mas apenas esta noite manifesta o seu ponto de vista sobre os polémicos lances do Libolo - 1º de Agosto.

As imagens do jogo de Calulo já estão em posse do CCAFA,  vão ser exibidas na reunião desta noite, na presença de todos os associados. Em princípio, o organismo não pondera ainda a possibilidade de punir o quarteto, embora seja ponto assente que nem todos tinham problemas no seu sistema de comunicação, tinham a obrigação de sair em socorro de quem tinha problemas no seu aparelho.

O Conselho Central de Árbitros espera analisar também esta noite as incidências do Porcelana 0 - Petro de Luanda 1. Os relatórios dos árbitros e dos comissários vão ser confrontados com as imagens televisivas,  em posse do CCAFA. O juiz Eduardo Nuno foi agredido por alguém, que se supõe estar ligado ao Porcelana, mas a grande preocupação do CCAFA é ver se o árbitro apitou o penálti, por sua conta e risco, ou se, faltou solidariedade dos outros colegas.

A arbitragem nacional tem sido alvo de duras críticas por parte dos clubes e dos seus adeptos, mas a transmissão em directo de jogos em diferentes pontos do país, ajudam o organismo a ter uma melhor ideia da qualidade dos árbitros nacionais.

A nossa fonte afirmou que sempre que possível, o CCAFA recorre aos préstimos da ZAP, que transmite a maioria dos jogos, para obter imagens dos lances mais polémicos da jornada, para dissipar dúvidas, aconselhar os seus filiados sob as falhas cometidas.

A tecnologia de ponte usada na transmissão dos jogos, tem ainda ajudado para que Muluta Prata e seus colaboradores repreendam e corrigem os árbitros sobre os erros, às vezes, por não se movimentarem ou se posicionarem como mandam as leis de jogo.

 TECNOLOGIA
CCAFA aguarda pelos meios


Os árbitros internacionais angolanos são os que mais investem nos meios tecnológicos. O kit é composto por auriculares, bandeirolas com sinal sonoro ou beep, dispositivos de vibração, rádios e baterias.

O Jornal dos Desportos apurou que os equipamentos que o CCAFA comprou estão todos avariados, por isso, é que na maioria dos jogos apenas os juízes utilizam insígnias da FIFA e são vistos com os equipamentos de comunicação, permitidos por lei.

Os árbitros internacionais aproveitam as deslocações ao exterior para apitar jogos, para comprar os meios tecnológicos para os colegas, que não têm a categoria internacional. Contudo, o custo dos equipamentos é determinantes para os juízes, que não têm insígnias do órgão reitor do futebol mundial desistirem de comprá-los, assegurou a fonte do CCAFA.

A título de exemplo a compra dos auriculares e dos rádios para o quarteto de árbitros, custa 6 mil euros, enquanto as bandeirolas com sinal sonoro são vendidas ao preço de mil e quinhentos euros.

A nossa fonte não revelou o custo do dispositivo de vibração, mas garantiu que nem o CCAFA nem os juízes do quadro nacional, têm dinheiro para adquirir os equipamentos.

O uso destes meios para comunicação entre os árbitros não é obrigatório, mas ao que apuramos os filiados na FIFA por estarem num escalão superior, preferem apitar com todos os meios tecnológicos para aumentarem a possibilidade de realizarem uma boa exibição.

Mesmo que o árbitro deixe de ver uma infracção, o assistente pode accionar o botão da sua bandeirola com sinal sonoro para alertá-lo de que tem de sancionar algo. O dispositivo de vibração do árbitro, que fica no braço, desperta e faz com que o juiz se aperceba da ocorrência e olhe para a sinalética do seu colega, antes do jogo reiniciar. As leis de jogo proíbem o árbitro de voltar atrás depois da partida reatar.

A conjuntura actual do país, impede o actual CCAFA de apostar de novo em meios tecnológicos, como sucedeu nos mandados anteriores. Ainda assim, a nossa fonte mostrou-se satisfeita por constatar que muitos árbitros, do quadro nacional, tiram dinheiro dos seus bolsos para comprar os equipamentos autorizados pela FIFA.

Para os que não têm tanto para gastar, usam o equipamento obrigatório composto por apitos e relógios, para cronometrar o tempo, cartões vermelho e amarelo, blocos de notas ou algo equivalente para registar todas as informações relativas ao jogo.

A falta de dinheiro faz com o que o CCAFA descarta, por enquanto a aposta na Tecnologia de Linha de Baliza "TLB", que alguns países já utilizam. Como o próprio nome indica, este tipo de tecnologia só se aplica na linha de baliza e é utilizada para determinar se a bola transpôs em definitivo a linha de golo.


APF MOXICO
Dirigente deplora
vandalismo nos Estádios


Os actos de vandalismo perpetrados por adeptos de algumas equipas, durante a disputa da 22ª jornada, mancham o futebol nacional e pode afugentar os amantes da modalidade aos campos, afirmou ontem no Luena, o presidente da Associação provincial do Moxico (APFM), Lilito de Freitas.

Em declarações à Angop, aquando do balanço da ronda 22, apontou o vandalismo como um acto negativo e de irresponsabilidade, principalmente, quando promovido por dirigentes, como aconteceu no desafio entre o Porcelana FC do Cazengo e o Petro de Luanda (0-1).

Afirmou, que a violência mancha a qualidade futebolística, e põe em causa a integridade física da população, que é a principal destinatária dos espectáculos.

Relativamente ao jogo Recreativo do Libolo -1º de Agosto (0-0), outro desafio que levantou polémica devido a actuação menos boa do trio de arbitragem, considerou “uma verdadeira vergonha” para o futebol angolano, numa altura que o Girabola Zap  é visto além fronteiras.

O antigo praticante de futsal defende uma maior actuação e dureza dos conselhos central de Árbitros e de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF), para se repor a normalidade nos campos, e a disciplina na arbitragem.

Considerou ainda salutar, a aproximação do Petro de Luanda no trio dos “claros” candidatos ao título, o que exige mais competitividade, eficácia no ataque e defesas coesas, para se manterem na corrida.

Quanto aos "pequenos", ressaltou o triunfo do Desportivo da Huíla ante ao ASA (3-0), que travou igualmente a marcha vitoriosa dos aviadores.     
De realçar, que durante a disputa da 22ª jornada, registou-se actos de vandalismo no jogo Porcelana FC- Petro de Luanda (0-1), além de irregularidade na arbitragem no desafio Recreativo da Caála - 1º de Agosto (0-0).  Em função desses actos, o (CCAFA) vai analisar hoje em Luanda.