Jornal dos Desportos

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Girabola

Árbitros do Luena ouvidos em Luanda

Betumeliano Ferr?o - 31 de Julho, 2017

CCAFA quer esclarecer

Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

A equipa de arbitragem e o comissário escalado para o FC Bravos do Maquis - 1º de Agosto, que  se disputou no domingo no Luena, continuavam a aguardar até ontem pelas provas que sustentam a acusação de tentativa de corrupção, que o técnico Zeca Amaral fez a Daniel Ricardo e Joaquim Chio, revelou ao Jornal dos Desportos uma fonte federativa 

O Jornal dos Desportos soube que no sábado, um dia antes do jogo, o assunto já era alvo de conversa no Luena, suposto palco dos acontecimentos, foi um dos motivos por que a parte visada, os árbitros, e até o comissário Ernesto Lotina, da província da Lunda Norte, mostraram-se ansiosos em ver as provas da forte de acusação.

A partida entre maquisardes e militares terminou sem que nenhum dos contendores tivessem motivos de queixa contra os árbitros, ainda assim, a fonte que citamos reafirmou que no final, os árbitros e o comissário voltaram a pedir as provas da suposta tentativa de corrupção, mas a solitação não foi atendida.

O técnico maquisarde direccionou a acusação apenas aos árbitros assistentes Ricardo Daniel e Joaquim Chio, mas o Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola (CCAFA) tinha a pretensão de escutar ontem a versão do quarteto que esteve no Luena, e se possível também o comissário, apurou o nosso jornal.

Até a hora do fecho da nossa edição, o CCAFA ainda não tinha  reunido , mas o Jornal dos Desportos soube, que os árbitros foram informados da possibilidade de se deslocarem à sede da Federação Angolana de Futebol (FAF) para serem ouvidos. A vontade do CCAFA é  de ver esclarecido o "caso da jornada" e é determiante para reter em Luanda os acusados pelo menos até ao dia de hoje, ao que fomos informados eles não regressam a Benguela, sem serem ouvidos.

Um provável castigo a Ricardo Daniel e Joaquim Chio ainda é mera conjectura, pois a fonte garantiu que os acusados dizem estar de consciência tranquila, a polémica começou um dia antes do jogo, mas durante os 90 minutos não aconteceu nenhuma situação anormal que desse motivos a quem estava a acusar, de ter provas de que os dois árbitros assistentes estavam condicionados.

O Girabola Zap está a ser fértil em acusações de tentativa de corrupção, na primeira volta o técnico João Machado denunciou também no final do jogo, um árbitro que apitou o jogo JGM-ASA. Consta que algum tempo depois , ainda no Huambo, uma equipa de arbitragem foi substituída quando já estava no palco do jogo, por tentar estar em conluio com uma das equipas.


Zeca Amaral denuncia corrupção



O técnico Zeca Amaral do FC Bravos do Maquis disse no domingo no Luena, que os árbitros assistentes que ajuizaram o jogo da sua equipa com o 1º de Agosto, receberam um envelope com dinheiro, um dia antes do desafio pontuável para a 21ª jornada do Girabola Zap 2017.
O jogo foi ajuizado pelo trio de Benguela, comandado por  Paulo Talaia, e auxiliado por Ricardo Daniel (1º assistente) e Joaquim Chio (2º assistente).

 “Ontem (referindo-se a sábado) houve e isto, infelizmente, quem é de direito não o quis fazer aqui a nível do nosso clube. Fiz um telefonema para o Conselho Central de Árbitros, porque esta equipa de arbitragem não devia realizar este jogo. Porque os fiscais de linhas (assistentes) foram encontrados, por nós, a receberem dinheiro (envelope)”, acusou à imprensa.

Zeca Amaral detalhou ainda os passos da tal cobrança:
 “Houve duas tentativas: A primeira foi nas bombas da Pumangol, e eles (árbitros assistentes) estão conscientes disso, e a segunda, na bombas da Sonangol”, disse o treinador,  lamentou que “nós trabalhamos todos os dias e vocês não sabem o sacrifício que este clube e as pessoas que trabalham nele fazem. Espero que o Conselho Central de Árbitro e o Conselho de Disciplina ajam como regem os regulamentos, face ao que aconteceu”.

O técnico maquisarde não falava à imprensa há mais de dois meses, quer que se faça justiça, tal como aconteceu com ele num jugo em Benguela, em que foi castigado por dois meses, por repudiar a atitude da árbitra do aludido jogo.

“Estou extraordinariamente irritado e zangado. Fui expulso num jogo em Benguela, por uma árbitra que teve a intenção nítida de nos prejudicar. Levei um castigo de dois meses e paguei uma multa de mil e 800 USD ”, disse.

Quanto ao jogo, disse que foi equilibrado, pois o 1º de Agosto foi mais feliz porque marcou um golo.

“Creio que o resultado só peca, por não marcarmos um golo. E, depois, com a grande passividade da equipa de arbitragem, porque o 1º de Agosto após marcar o golo, já não jogou mais”, referiu.
Daniel Melgas | Luena