Jornal dos Desportos

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Girabola

ASA ameaado no Girabola

Augusto Panzo - 26 de Julho, 2016

ASA em risco de desistncia

Fotografia: Dombele Bernardo

O Atlético Sport Aviação (ASA) corre risco de desistir do Girabola Zap 2016, devido à agudização da crise financeira motivada pelo incumprimento de patrocinadores que não alocam  verbas ao clube em tempo útil, segundo o presidente de direcção do clube, Elias da Conceição Filipe José.

Em entrevista ontem ao Jornal dos Desportos, Elias José informou que o grémio aviador está mergulhado numa profunda crise financeira, que pode estar na base dos maus resultados no campeonato.

"O ASA está numa gritante crise financeira. Os patrocinadores não alocam verbas na hora certa, o que nos remete à contratação de dívidas salariais,  para com os nossos jogadores. Neste momento, devemos dois meses de salário (Maio e Junho) aos nossos atletas de futebol, sem contar com os do basquetebol e andebol, que se arrasta há mais de três meses", disse.

A falta de pagamento de salários está a causar outras consequências, como a ausência dos jogadores aos treinos, por não terem dinheiro para apanhar o táxi.

"A situação é tão triste que até origina a que alguns jogadores não apareçam às sessões de treino, porque não dispõem de dinheiro para apanhar o táxi. Isso é preocupante, porque muitos deles são chefes de famílias", alertou. 

O presidente do ASA lamenta o facto, visto que os patrocinadores foram bem orientados pelo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, sobre a obrigatoriedade no cumprimento dos prazos.

"Mesmo depois da orientação do senhor ministro Augusto da Silva Tomás, aquando da reunião realizada com os mesmos, os patrocinadores não honram os compromissos assumidos. Isso, levou-me por várias vezes a assumir o papel de 'bombeiro', onde muitas das vezes eu pegava no meu dinheiro e punha à disposição do clube para resolver os problemas. Como as eleições estão à vista, prefiro deixar de fazer isso", afirmou.

Perante essa situação, Elias José lança um apelo aos patrocinadores, no sentido destes alocarem as verbas o mais rápido possível, sob pena do ASA desistir do Girabola Zap 2016.

"A minha permanência à frente do clubem permitiu que até hoje, houvesse alguma estabilidade no ASA. Basta ver  ao longo deste tempo todo, o ASA nunca perdeu por falta de comparência, por uma única vez que fosse. Mas como a situação está cada vez mais insuportável, faço aqui um apelo aos patrocinadores  para alocarem as verbas nos prazos justos, para que a equipa de futebol não desista do Girabola Zap 2016", argumentou.

DETERMINAÇÃO
Taag retira complexo habitacional


A crise financeira no Atlético Sport Aviação (ASA) começou a tornar-se cada vez mais iminente, retirado o patrocínio da Taag que era a empresa que dava o maior “bolo” ao clube do aeroporto em termos de patrocínio, por determinação da companhia aérea Emirates.

Como se não bastasse, uma decisão recentemente tomada e comunicada à direcção da agremiação desportiva, a Taag retirou o Complexo Habitacional da tutela do ASA,  que  agravou  ainda mais a situação financeira do grémio, presidido por Elias José, dado que aquela unidade serviu durante anos de fonte de receitas do clube.

“A situação financeira do ASA está cada vez mais apertada. Ainda há dias fui informado através da Taag, que o complexo habitacional que até há bem pouco tempo era  uma das poucas fontes de rendimento que ainda restava para o ASA, foi retirado da tutela do clube. É motivo para dizer que as coisas estão cada vez mais agudizadas no ASA”, fez questão de frisar.

Em face de todos esses constrangimentos, o presidente do Atlético Sport Aviação (ASA), Elias José, anunciou ontem a intenção de não se recandidatar  para o próximo mandato, prometeu dedicar-se mais à sua vida privada, ao invés de submeter-se a este tipo de condicionalismos que em nada abonam para si.

“As eleições serão realizadas em breve, mas deixa-me adiantar-lhe desde já que não vou recandidatar-me, porque não vejo bem o andamentos das coisas no futuro para o clube. Estou exausto dos constrangimentos. Prefiro  dedicar-me à minha vida particular, ao invés de suportar essas situações”, vaticinou.
AP