Jornal dos Desportos

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Ateno nos grupos

Betumeleano Ferro - 14 de Setembro, 2019

1 de Agosto joga esta tarde em Lusaka ante o Green Eagles para as Afrotaas

Fotografia: VIGAS DA PURIFICAO | Jornal dos Desportos

O 1º de Agosto tem experiência suficiente para saber por que razão colocou alta a fasquia, mas do que riscar a palavra derrota, os militares percebem a importância de sair vivos da primeira-mão da decisiva eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos. Ou vitória ou empate, eis o pensamento único com que o campeão angolano vai entrar esta tarde, diante do Green Eagles da Zâmbia, a partir das 15h00 (14h00 em Angola), no estádio Nkolama. Impedir o voo da ave de rapina pode ser determinante para as contas finais.
A precisar de um bom resultado, o campeão angolano está disposto a correr todos os riscos próprios de quem ambiciona chegar, ver e vencer. A bem da verdade, é com uma postura irrepreensível que os militares vão conseguir impedir em todos os momentos, que o Green Eagles tenha chances de tentar inclinar o campo nos minutos iniciais da contenda.
Quanto mais cedo o 1º de Agosto puxar dos galões, mais cedo o adversário vai perceber que pode ser ferido de morte, motivo por que vai adoptar sempre por jogar na certa para impedir que os seus desequilíbrios abram brechas, para a qualidade dos militares fazer o resultado final.
Contra factos não há argumentos, assim então, o 1º de Agosto tem de ser determinado desde o apito inicial, a chamada fase do jogo mútuo tem de ser aproveitada para mandar recados competitivos aos zambianos, é importante que a equipa angolana mostre, desde a primeira vez em que tocar na bola, que quer voltar para casa com metade do problema resolvido.
Num passado recente, o 1º de Agosto teve vários internacionais zambianos no seu plantel, ainda bem que eles deixaram o legado com alguns dos colegas, que vão entrar em campo esta tarde. O conhecimento do passado pode dar ao campeão angolano uma ideia aproximada da mentalidade do seu adversário e também do seu público, saber contrariar todos os pontos fortes do Green Eagles é condição indispensável, para não hipotecar as chances de regressar à fase de grupos.
O Green Eagles conhece o recente doce passado do 1º de Agosto na Champions, é por isso que vai jogar sempre condicionado, para evitar sair cabisbaixo perante o seu público. Saber que os militares podem muito bem molhar a sopa extramuros com o seu apetite voraz, vai fazer com que a equipa zambiana olhe para trás, uma postura pouco recomendável para quem anseia tirar todo o proveito possível do factor casa e outras supostas vantagens.
 Nada é melhor do que ganhar, sobretudo numa eliminatória, é isso o que o Green Eagles vai tentar fazer para passar a pressão para o 1º de Agosto. Fazer bem os deveres de casa vai exigir muitos sacrifícios a quem joga como anfitrião, mas o doce passado do campeão angolano deixa os zambianos quase sem liberdade de escolha, ou fazem a sua parte ou deixam os militares abrirem a porta da qualificação.

PETRO DE LUANDA EM CASA
Tricolor mira vantagem
sem referências atacantes


O regresso à fase de grupos da Champions nunca esteve tão perto do Petro de Luanda como agora, mas esta tarde os tricolores vão ter de superar a maior adversidade de todas, ausências dos avançados mais sonantes, não inscritos , para conseguir construir em casa a vantagem, na primeira-mão da última eliminatória ante o Kampala City do Uganda, com início às 16H00, no 11 de Novembro.
Sem golo(s) ninguém consegue ganhar nada, mas como marcar não é especialidade exclusiva dos atacantes, os tricolores têm de tirar bom proveito das alternativas com que vão entrar em campo, não ter dianteiros com rotina para jogar dentro da área nunca pode servir de desculpas, pois desde que o Petro entrou na competição que sabia que teria de achar outras soluções, para chegar ao destino final.
A jogar contra as adversidades, os tricolores têm de ser sábios para aproveitar a faca de dois gumes que têm nas mãos, realmente seria mais prático usar o expediente normal, mas como a realidade é mesmo irreversível, o Petro tem de utilizar outros meios para minar a estrutura defensiva ugandesa.
O Petro de Luanda tem de saber estabelecer bem as prioridades em campo, para não acrescentar mais um adicional fardo às suas costas, o mais importante é ganhar esses primeiros minutos da decisiva eliminatória, a diferença de golos é realmente a fronteira que separa a qualificação da eliminação, mas é ponto assente que obter uma vantagem, dá sempre um outro conforto para a segunda-mão, até mesmo quando é 1-0, 2-1, 3-2, o que conta é forçar o adversário a correr atrás do prejuízo.
As equipas ugandesas não costumam cruzar muitas vezes o caminho dos nossos embaixadores nas provas continentais, mas os confrontos entre as selecções dos dois países, já foram frequentes num passado recente, deixaram os angolanos com lembranças agridoces. Se a história vai se repetir ou não, tudo vai depender da atitude competitiva, que os contendores vão começar a demonstrar esta tarde no 11 de Novembro. Quem souber tirar todas as coisas boas do seu plantel, vai seguramente colocar-se na zona de conforto em que deseja estar.
O Petro de Luanda, por jogar em casa, entra pressionado para dar o exemplo, fica claro que os tricolores têm poucas chances de imprimir um ritmo frenético do princípio ao fim, mas o que os adeptos esperam é que o poder de eficácia apareça sempre nos momentos exactos, para fazer toda a diferença no marcador. A obsessão pelo golo é incapaz de dar bons frutos, pelo que o Petro só tem de ser Petro a fim de sair do 11 de Novembro com a esperança renovada para a segunda-mão.