Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Atletas reclamam por contratos

Augusto Panzo - 23 de Junho, 2015

Plantel aviador descontente com direco por falta de pagamento dos contratos

Fotografia: Jos Cola

O clima no ASA continua agitado. A par da posição que a equipa se encontra  na tabela de classificação e que culminou com o despedimento do técnico Robertinho, a direcção enfrenta outro dilema. Os jogadores do plantel aviador reclamam o pagamento dos seus contratos, disputadas que estão as primeiras 15 jornadas do Girabola. O Jornal dos Desportos apurou que os atletas estão descontentes pelo facto de ainda não receberem qualquer valor monetário.

De acordo com a nossa fonte, o atraso no cumprimento do acordo firmado entre as partes está a criar um mau ambiente no plantel e a desmotivar os jogadores. Admitiu que este pode ser um dos motivos da má prestação da equipa esta época, apesar do espírito profissional que deve norteá-los.
“Estamos muito tristes porque até agora, seis meses depois, ainda não recebemos as luvas do contrato, o que está a criar um mau clima e algumas dificuldades nas nossas vidas, porque somos chefes de família e temos muitas obrigações perante a sociedade”, clarificou.

Disse mais adiante, que como chefe de famílias temos obrigações no lar. “Temos filhos a estudar e que precisam de livros e outros materiais, há ainda crianças nas creches, cujos honorários têm de ser pagos, etc. etc. Sem os nossos contratos em dia, como é que podemos enfrentar essas situações ?”, interrogou-se a fonte.

O nosso interlocutor revelou, que em função da situação que se vive na formação do aeroporto, alguns jogadores ponderam abandonar o ASA, mas de comum acordo preferiram aguentar mais um tempo, na expectativa de verem a situação solucionada. “Muitos jogadores estavam a pensar na hipótese de abandonar a equipa nessa segunda fase de inscrições, mas depois de uma reflexão preferiram recuar e aguardar que a situação seja ultrapassada”, avançou a fonte.

“Profissionalismo à parte, acho que isso, está a pesar muito no rendimento da equipa no Girabola. Os jogadores não querem dar no duro, porque a contrapartida não é favorável, embora haja salários”, revelou. Se em relação aos contratos a situação está complicada, a fonte reconheceu o esforço evidenciado por parte da direcção, para manter os salários em dia.

“Quanto aos salários, não temos razões de queixa, porque a direcção  empenha-se bastante na solução da questão. Temos apenas um mês de atraso e creio que até ao fim desta semana ou princípio da outra, podemos ter a situação sanada”, comentou.

DÍVIDAS COM O PLANTEL
Presidente responsabiliza patrocinadores


O presidente do ASA, Elias da Conceição José, assumiu que a direcção está de facto em dívida em relação ao pagamento de luvas aos jogadores e responsabiliza os potenciais patrocinadores, por não cumprirem com as suas obrigações, já que  ultrapassa a capacidade da direcção. “O pagamento das luvas foge à nossa capacidade, porque somos um clube que vive de patrocínios e quando esses não cumprem, a situação torna-se constrangedora. Apelamos à sensibilidade destes, para que nos ajudem a ultrapassar a situação”, ressaltou.

Confessou que a direcção procura na medida do possível justificar as razões do atraso. “Cientes das nossas responsabilidades, temos conversado muito com os jogadores sobre isso, para esclarecer e pedir a compreensão de todos”, esclareceu. Elias José refutou, que isso, seja um dos motivos da má prestação da equipa na primeira volta. O dirigente referiu que eles são profissionais e assim, devem pautar no espírito do profissionalismo.

“Não acredito que haja pouca entrega dos jogadores durante os desafios no campeonato, devido à falta de pagamento de luvas. No ano passado, pagámos os valores contratuais com alguma antecedência e os resultados, nem por isso, foram superior aos actuais”, disse o presidente do ASA.  
Elias José defendeu que na qualidade de profissionais, os atletas devem cumprir com o seu dever. Por isso, não concorda com a possibilidade do atraso estar a influenciar o comportamento do plantel.

“Eles devem ter o espírito profissional, porque imaginemos que tivéssemos pago os contratos e ao cabo destas jornadas, os resultados não fossem positivos! O que seria então para os dois lados?”, questionou.
AP